A expansão da inteligência artificial já está provocando mudanças no mercado de trabalho dos Estados Unidos, mas os impactos sobre o emprego total e os salários ainda são considerados limitados. A avaliação faz parte de um estudo divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Banco Central Europeu (BCE), que analisou como a economia americana vem reagindo ao avanço das novas tecnologias nos últimos anos.
Desde a popularização de ferramentas de IA, empresas de diferentes segmentos passaram a investir em soluções capazes de automatizar processos, aumentar a produtividade e executar tarefas que antes dependiam exclusivamente de profissionais humanos. Esse cenário alimentou previsões sobre possíveis perdas de empregos e ampliação das desigualdades no mercado de trabalho.
Os dados examinados pelo BCE, entretanto, mostram que a transformação ocorre de forma mais gradual. Em vez de uma substituição generalizada da mão de obra, a pesquisa aponta para uma reorganização progressiva das ocupações, com trabalhadores migrando para áreas menos vulneráveis à automação.
Segundo o estudo, a economia dos Estados Unidos começou a absorver os efeitos da inteligência artificial anos antes da explosão recente de ferramentas generativas, promovendo mudanças que vêm redesenhando lentamente a estrutura do emprego.
Michele Bouvier Sollack, empresária, mentora e palestrante, subiu ao palco do BAVE EUA 2026 para propor reflexões essenciais sobre o cenário atual. O evento, promovido nos Estados Unidos por Fábio Soares, mentor do programa Avengers Aceleração de Negócios Digitais, serviu como pano de fundo para discussões sobre as transformações globais.
Ocupações mais vulneráveis avançaram menos
A análise revela diferenças importantes entre os grupos de profissões classificados conforme o risco de substituição por inteligência artificial.
De acordo com o BCE, “Mantendo-se tudo o mais igual, entre 2019 e 2025, os empregos com alto risco de substituição cresceram cerca de 15 pontos percentuais a menos do que os empregos com baixo risco de substituição”.
O resultado indica que funções mais expostas à automação perderam dinamismo em comparação com atividades que dependem de habilidades práticas ou interação humana.
Entre as profissões consideradas mais suscetíveis aos avanços tecnológicos estão economistas e designers gráficos. Nesses casos, o número de trabalhadores registrou queda média superior a 4% entre 2019 e 2025.
Por outro lado, carreiras classificadas como de baixo risco apresentaram expansão relevante. O estudo cita eletricistas e professores do ensino médio como exemplos de ocupações que continuam registrando crescimento mesmo diante da evolução acelerada da inteligência artificial.
Nessas atividades, o emprego aumentou 13% no período analisado.
Mercado de trabalho passa por reequilíbrio
As diferenças de desempenho entre as ocupações acabaram alterando a composição do mercado de trabalho americano.
Segundo os dados do BCE, a participação dos empregos considerados menos vulneráveis à substituição tecnológica passou de 23% para 25% do total de vagas existentes nos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, os cargos classificados como de alto risco perderam espaço na estrutura ocupacional do país. A participação desse grupo caiu de 35% para 33%.
A pesquisa aponta que esse movimento reflete um processo de adaptação gradual da economia às novas tecnologias. Em vez de eliminar empregos em larga escala, a inteligência artificial tem contribuído para deslocar profissionais entre diferentes áreas de atuação.
Ainda assim, o estudo destaca que alguns grupos podem enfrentar maior pressão. Trabalhadores em posições de entrada e profissionais que atuam em setores altamente expostos à tecnologia aparecem entre os mais vulneráveis às mudanças em curso.
Impacto salarial segue restrito
O levantamento também buscou identificar se a inteligência artificial já está influenciando os rendimentos dos trabalhadores americanos. A conclusão é que os efeitos permanecem discretos até o momento.
Segundo o BCE, “O risco de substituição pela IA não teve impacto significativo no crescimento dos salários desde 2019”.
A constatação sugere que, apesar das alterações observadas na distribuição das vagas, ainda não houve reflexos relevantes sobre a evolução da renda dos profissionais.
Os pesquisadores alertam, porém, que o cenário pode mudar nos próximos anos. À medida que a inteligência artificial se torna mais sofisticada e amplia sua capacidade de executar tarefas complexas, os impactos econômicos tendem a ganhar dimensão maior.
O estudo ressalta essa possibilidade ao afirmar que “Com o tempo, à medida que o mercado de trabalho continua a se ajustar e as ferramentas de IA se tornam mais generativas, os efeitos sobre a renda podem se tornar mais pronunciados”.
A análise do Banco Central Europeu indica que a inteligência artificial já influencia a dinâmica do emprego nos Estados Unidos, mas os resultados observados até agora apontam mais para uma redistribuição gradual das oportunidades de trabalho do que para uma redução ampla de vagas ou salários.
Fonte: CNN Brasil
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/colegas-de-trabalho-resolvendo-tarefas-em-laptop-e-tablet-executando-software-de-ia_237227614.htm









