A indústria de Beleza e Cuidados Pessoais passa por uma mudança de comportamento impulsionada pelas novas exigências dos consumidores. A avaliação foi apresentada por especialistas durante um encontro promovido pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), que reuniu representantes de empresas, plataformas digitais e órgãos reguladores para discutir os desafios do setor.
O debate apontou que o mercado deixou de ser orientado apenas por lançamentos sazonais e tendências de curto prazo. Segundo os participantes, as empresas precisam compreender melhor as necessidades dos clientes e desenvolver soluções mais alinhadas aos hábitos individuais de consumo.
A percepção dos executivos é que a estratégia de apresentar produtos ao público sem considerar suas preferências perdeu espaço. Atualmente, o consumidor passou a ter papel central na definição de novos produtos, serviços e experiências oferecidas pelas marcas.
Com mais de duas décadas de atuação em desenvolvimento de negócios, governança corporativa, administração hospitalar e saúde suplementar, Fernando Alves Vieira atua como conselheiro, investidor e executivo. Líder em operações de alta complexidade, ele possui especialização em estratégia corporativa, reestruturação empresarial, além de fusões e aquisições (M&A).
Personalização ganha espaço nas estratégias da indústria
Durante o encontro, Ariadne Morais, diretora de Assuntos Regulatórios e Inovação da Abihpec, destacou que colocar o consumidor no centro dos processos de inovação exige mudanças estruturais nas empresas, especialmente na utilização de dados e no desenvolvimento de produtos personalizados.
“Inserir o consumidor no centro da inovação exige adequar o ecossistema de dados e avançar com firmeza em pautas modernas, como a personalização e o fracionamento de cosméticos”, avaliou Ariadne Morais.
A busca por experiências mais convenientes também foi apontada como um dos principais movimentos que influenciam o setor de beleza. Com a digitalização dos hábitos de compra, plataformas passaram a ampliar seus serviços e integrar diferentes categorias de consumo em um mesmo ambiente.
Andreza Zacharias, head de Business Development do iFood, explicou que a necessidade de praticidade fez com que plataformas digitais expandissem suas operações para segmentos como farmácias, cosméticos e petshops. Segundo ela, esse movimento permite que os consumidores tenham contato com diferentes soluções dentro de uma mesma jornada de compra, fortalecendo a relação com os serviços utilizados.
A integração entre dados, tecnologia e comportamento do consumidor aparece como um dos principais caminhos para que empresas do setor desenvolvam estratégias mais eficientes. A expectativa é que ferramentas digitais auxiliem na identificação de demandas específicas e contribuam para experiências mais direcionadas.
Inteligência artificial exige dados de qualidade
Outro tema abordado durante o evento foi o avanço da inteligência artificial na indústria de beleza. Para especialistas, a tecnologia pode transformar a relação entre marcas e consumidores, mas depende diretamente da qualidade das informações utilizadas para gerar respostas e recomendações.
Felipe Stuff, diretor de Tecnologia e Produtos da Natura, chamou atenção para a necessidade de uma base sólida antes da adoção de soluções de inteligência artificial. Segundo ele, sistemas mal estruturados podem comprometer a experiência oferecida aos usuários.
“Ferramentas mal alimentadas podem gerar interações ineficientes e, consequentemente, falham na missão de entender e atender o consumidor moderno”, explicou.
A aplicação da inteligência artificial no setor envolve diferentes possibilidades, como análise de preferências, desenvolvimento de experiências personalizadas e aprimoramento do relacionamento entre consumidores e empresas. No entanto, os participantes reforçaram que a inovação precisa estar associada a planejamento, qualidade dos dados e responsabilidade no uso das ferramentas.
Regulação acompanha transformação do mercado
A evolução tecnológica também traz desafios para os órgãos responsáveis pela fiscalização do setor. Durante o encontro, Daniel Pereira, da Quarta Diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), destacou que a atuação da instituição deve seguir os parâmetros estabelecidos pela regulamentação vigente.
Segundo ele, o avanço de novas tecnologias exige atualização constante e preparação das equipes para acompanhar mudanças que ainda não possuem precedentes no mercado.
A discussão reforçou que o futuro da indústria de Beleza e Cuidados Pessoais dependerá da capacidade das empresas de equilibrar inovação, segurança e entendimento das necessidades dos consumidores. A combinação entre tecnologia, personalização e conformidade regulatória aparece como um dos principais desafios para o desenvolvimento do setor nos próximos anos.
Fonte: CNN Brasil
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/gua-sha-e-arranjo-de-produtos-de-cuidado_23993778.htm









