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Integração entre saúde pública e privada: Hans Dohmann aponta caminhos para eficiência sistêmica

Equipe Revista Prefeitos de São Paulo by Equipe Revista Prefeitos de São Paulo
17/06/2026
in Saúde
Integração entre saúde pública e privada: Hans Dohmann aponta caminhos para eficiência sistêmica
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A integração entre os sistemas público e privado de saúde no Brasil começa a sair do campo das propostas e ganhar contornos práticos. Um dos marcos recentes é a ampliação da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), que passa a reunir informações tanto do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto da saúde suplementar. Hans Dohmann, médico e gestor de saúde, aponta caminhos para eficiência desse e de outros sistemas de integração público-privado. 

Para o médico, na prática a ampliação do programa Agora Tem Especialistas permite que exames, diagnósticos, prescrições e históricos clínicos sejam acessados de forma unificada pelos profissionais. A iniciativa foi impulsionada e lançada em 2025, e viabilizada por uma parceria entre o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). 

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“A proposta é simples no conceito, mas complexa na execução: consolidar dados dispersos em diferentes sistemas para garantir continuidade do cuidado, independentemente de onde o paciente tenha sido atendido”, destaca Hans Dohmann.

O gestor de saúde complementa que esse movimento responde a um problema histórico. “No modelo fragmentado, pacientes frequentemente repetem exames, omitem informações ou enfrentam atrasos no diagnóstico por falta de acesso ao histórico clínico completo. Com a interoperabilidade, a expectativa é reduzir redundâncias, acelerar decisões médicas e melhorar os desfechos clínicos”, afirmou Hans Dohmann.

Interoperabilidade e gestão orientada por dados

A RNDS já reúne bilhões de registros de atendimentos realizados na rede pública. Com a incorporação dos dados da saúde suplementar, a expectativa é mais que dobrar esse volume, ampliando a capacidade analítica do sistema. Hoje, a plataforma já é utilizada por grande parte dos estados e municípios para organizar atendimentos e orientar políticas públicas.

“O acesso integrado aos dados traz impactos diretos na prática clínica. Profissionais de saúde passam a contar com uma visão mais completa do histórico do paciente, o que tende a tornar o cuidado mais preciso. Ao mesmo tempo, gestores públicos ganham ferramentas para planejar ações com base em evidências, identificando demandas regionais e alocando recursos de forma mais eficiente”, explicou Hans Dohmann.

Hans Dohmann enfatizou também o ganho relevante na transparência clínica, pois o paciente pode acessar suas próprias informações de saúde, o que fortalece o acompanhamento do tratamento e amplia o controle sobre sua jornada no sistema.

Parcerias e governança como eixo central

De acordo com Hans Dohmann, a integração entre setores exige mais do que tecnologia. “Modelos de governança bem definidos são determinantes para o sucesso dessas iniciativas”. Na avaliação do médico, a cooperação entre público e privado só gera valor quando acompanhada de regras claras, métricas de desempenho e monitoramento contínuo.

“Sem esses elementos, há risco de ineficiência. A participação do setor privado pode se tornar apenas um custo adicional, sem ganhos estruturais para o sistema. Por outro lado, quando bem reguladas, essas parcerias ajudam a ampliar a capacidade de atendimento, especialmente em áreas com maior demanda por especialistas”, completou Hans Dohmann.

O governo federal destinou R$ 440 milhões para expandir esse modelo, com foco em especialidades como cardiologia, ortopedia, ginecologia, oncologia e oftalmologia. A estratégia inclui o credenciamento contínuo de unidades privadas, o que pode reduzir filas e melhorar o acesso a procedimentos.

Experiências internacionais e inspiração local

Hans Dohmann aponta que o movimento brasileiro dialoga com experiências internacionais, pois no  Reino Unido, o National Health Service (NHS), sistema público de saúde do país, tem recorrido ao setor privado para ampliar a oferta de procedimentos eletivos.

“Entre as medidas adotadas estão a expansão de centros de diagnóstico fora dos hospitais e o estímulo à escolha do paciente sobre onde realizar o tratamento. Também houve ampliação de contratos com clínicas privadas para atender demandas específicas, como cirurgias ortopédicas e procedimentos ginecológicos”, descreveu Hans Dohmann. 

No Brasil, o gestor de saúde relembra iniciativas semelhantes que começam a surgir dentro do próprio setor privado. Um projeto liderado pelo InovaHC, ligado ao Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, reúne hospitais, laboratórios e operadoras de planos de saúde para testar a interoperabilidade de dados entre as instituições.

“A proposta é permitir o compartilhamento de informações clínicas com autorização dos pacientes, facilitando o atendimento e reduzindo a necessidade de repetição de dados. O modelo se inspira no open finance, sistema que permite a troca de informações financeiras entre instituições mediante consentimento do cliente”, destacou Hans Dohmann.

Participam da iniciativa hospitais de referência, laboratórios e redes de farmácias, além de operadoras de planos de saúde. “O projeto conta com acompanhamento do Ministério da Saúde e pode servir como base para futuras integrações mais amplas entre os sistemas público e privado”, informou Hans Dohmann.

Desafios de segurança e uso ético dos dados

Apesar dos avanços, a integração de dados em saúde levanta preocupações relevantes. “O compartilhamento de informações sensíveis exige padrões rigorosos de segurança e governança. Há risco de uso indevido, especialmente se os dados forem utilizados para finalidades que não estejam diretamente relacionadas à assistência ou ao interesse público”, apontou Hans Dohmann.

O gestor de saúde alerta para a necessidade de mecanismos de controle, anonimização e auditoria. “A confiança do paciente é um ativo central nesse processo. Sem garantias claras sobre a proteção das informações, a adesão tende a ser limitada”, declarou Hans Dohmann. 

“O avanço da integração entre saúde pública e privada no Brasil indica um caminho possível para enfrentar gargalos históricos. A combinação de tecnologia, governança e cooperação institucional tende a definir o ritmo dessa transformação nos próximos anos”, concluiu Hans Dohmann.

Imagem: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/medico-perito-que-examina-os-resultados-de-radiografias-e-registos-de-cuidados-de-saude_417797466.htm

Tags: Hans Dohmann
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