Os cravos são alterações comuns da pele e podem aparecer em diferentes idades. Embora a remoção pareça simples, dermatologistas recomendam cautela com a tentativa de extraí-los em casa. O uso dos dedos ou de instrumentos sem esterilização adequada pode provocar lesões e aumentar o risco de complicações.
A vontade de espremer um cravo também pode estar relacionada à sensação de satisfação provocada pela remoção de imperfeições. Cientistas descobriram que esse comportamento pode liberar dopamina, substância química associada à sensação de bem-estar. Nas redes sociais, vídeos de extração de cravos e espinhas também despertam interesse.
Para Alisen Huang, dermatologista da NYC Health + Hospitals/Gotham Health, a recomendação é evitar esse tipo de procedimento doméstico. “É muito tentador, e entendo por que alguém teria vontade de espremê-los”, diz. Mas, acrescenta, “a resposta é um grande ‘não’”.
Oleosidade favorece obstrução dos poros
Os cravos são um tipo de acne que ocorre quando oleosidade, células mortas e outros resíduos bloqueiam um poro. O contato desse material com o ar provoca o escurecimento que caracteriza o cravo.
As lesões podem aparecer no rosto, pescoço, costas e peito. De acordo com Chang B. Son, dermatologista em Nova York, a produção excessiva de oleosidade está entre as principais causas dos cravos.
Os produtos utilizados diariamente também podem interferir na formação dessas obstruções. Murad Alam, vice-presidente do departamento de dermatologia da Faculdade de Medicina Feinberg da Universidade Northwestern, afirma que produtos que obstruem os poros podem contribuir para o problema. Entre os exemplos estão aqueles formulados com manteiga de karité, óleo de coco ou óleo de abacate.
A aplicação de muitos produtos para a pele ao mesmo tempo também pode favorecer o surgimento dos cravos.
Embora possam atingir qualquer pessoa e em qualquer idade, essas alterações são comuns em períodos de oscilação hormonal. Puberdade e gravidez são alguns exemplos. Os cravos também podem aparecer em condições relacionadas a desequilíbrios hormonais, como a síndrome ovariana metabólica poliendócrina, anteriormente conhecida como síndrome dos ovários policísticos, ou SOP.
Extração exige higiene e técnica
A extração é a maneira mais rápida de remover um cravo, segundo Alam. Entretanto, quando realizada sem técnica adequada, pode provocar rupturas microscópicas na pele, inflamação, infecções e cicatrizes, explica Huang.
Por isso, os especialistas consideram mais seguro procurar um dermatologista. O profissional pode fazer a extração utilizando instrumentos esterilizados e avaliar as condições da pele antes do procedimento.
Caso a pessoa decida realizar a extração em casa, Son recomenda utilizar um extrator de comedões em vez dos dedos. O instrumento possui um orifício ou uma alça na ponta, que permite posicioná-lo ao redor do cravo.
Alam orienta lavar as mãos, higienizar a região com sabonete ou álcool e desinfetar o instrumento com álcool. Depois, o extrator deve ser colocado ao redor do cravo, com pressão suave até que o conteúdo seja eliminado.
As fitas adesivas para os poros também não são consideradas uma solução eficaz. Segundo Alam, elas podem retirar apenas a parte superficial do cravo, deixando resíduos dentro do poro. Son acrescenta que as fitas podem irritar a pele.
Cuidados ajudam a prevenir novos cravos
A extração não impede que o cravo volte a surgir. Song Park, professora associada de dermatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, em Seattle, classifica o procedimento como uma solução “de curta duração”. “Ele vai voltar”, afirma.
O controle da oleosidade é apontado por Park como uma das principais estratégias para prevenir a formação dos cravos. O uso regular de produtos de limpeza com ácido salicílico pode reduzir a oleosidade da pele. Já os retinoides tópicos ajudam a acelerar a renovação celular e podem impedir o acúmulo de células mortas nos poros.
Huang explica que a maioria dos retinoides, como a tretinoína, está disponível somente mediante receita médica. Também existem produtos de venda livre com retinol, integrante da família dos retinoides. Segundo ela, o ingrediente pode ajudar a reduzir cravos existentes e prevenir novos.
Como esses produtos costumam ser mais fracos e não são regulamentados nem testados da mesma forma que os retinoides prescritos, porém, sua eficácia pode variar.
Para pessoas que apresentam cravos com frequência ou não obtêm resultados com produtos de venda livre, Huang recomenda consultar um dermatologista. Entre as opções que podem ser avaliadas estão peelings químicos, que esfoliam a pele e ajudam a dissolver oleosidade e células mortas, e terapias a laser para reduzir a produção de oleosidade.
A consulta também permite definir uma rotina de cuidados adequada às características da pele e contribuir para reduzir o surgimento de novos cravos.
Fonte: Folha de São Paulo
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/nariz-feminino-com-cravos-ou-pontos-pretos-e-lupa-com-uma-foto-ampliada-dos-poros_45007332.htm






