A transformação digital já faz parte da rotina dos serviços de saúde, mas a incorporação de novas tecnologias não garante, por si só, melhoria na operação. Para o executivo Gustavo de Carvalho Meres, inovação precisa estar associada à gestão, à preparação das equipes e à revisão dos processos que sustentam o atendimento.
A questão ganha relevância diante do avanço da digitalização no setor. A pesquisa TIC Saúde 2024, mostrou que 92% dos estabelecimentos brasileiros já utilizavam sistemas eletrônicos para registro das informações dos pacientes. Ao mesmo tempo, apenas 23% dos médicos haviam realizado formação ou treinamento em informática em saúde nos 12 meses anteriores à pesquisa.
“Os dados do mercado revelam um déficit no setor. A integração tecnológica já está acontecendo e requer maior atenção dos profissionais que atendem o público e, principalmente, daqueles que estão à frente de cargos de gestão“, afirma Meres.
Tecnologia precisa resolver problemas da operação
A adoção de sistemas digitais amplia a quantidade de informações disponíveis, mas o valor desses recursos depende da forma como são incorporados ao trabalho. A própria TIC Saúde aponta a necessidade de que os sistemas estejam alinhados às necessidades dos usuários, à usabilidade e à melhoria dos fluxos de trabalho.
Nesse cenário, a gestão passa a ter papel central: identificar gargalos, preparar profissionais, estabelecer indicadores e definir onde a tecnologia pode efetivamente melhorar processos e resultados.
A mesma lógica se aplica à inteligência artificial. Antes de incorporar ferramentas mais sofisticadas, as instituições precisam considerar a qualidade dos dados, governança e capacidade das equipes de utilizar os recursos dentro de processos bem definidos.
Dados integrados fortalecem a tomada de decisão
A interoperabilidade é outro componente dessa transformação. A Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), do Ministério da Saúde, foi criada para conectar sistemas e permitir o compartilhamento padronizado de informações entre diferentes pontos da rede. Os dados também podem apoiar planejamento, monitoramento e tomada de decisão.
Em setembro de 2026, o Ministério da Saúde destacou que a expansão da RNDS exige não apenas infraestrutura tecnológica, mas também condições institucionais, técnicas e de governança para incorporar os dados ao planejamento e à gestão.
“A experiência reforça uma mudança de perspectiva em que inovação em saúde não se resume à aquisição de ferramentas. Ela depende da capacidade das organizações de transformar tecnologia em informação útil, processos mais eficientes e decisões melhores”, destaca Gustavo de Carvalho Meres.
Gestão transforma inovação em resultado
Para Gustavo de Carvalho Meres, esse é o ponto em que estratégia e tecnologia precisam caminhar juntas. Uma solução digital pode automatizar tarefas, organizar informações e ampliar a capacidade de acompanhamento, mas seus efeitos dependem da estrutura que existe por trás dela.
Na saúde, portanto, inovar envolve mais do que acompanhar novas tecnologias. Significa preparar pessoas, redesenhar processos, integrar informações e criar modelos de operação capazes de sustentar as mudanças ao longo do tempo. A inovação deixa, assim, de ser apenas uma questão tecnológica e passa a integrar a própria estratégia de gestão das organizações de saúde.
Imagem: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/medico-senior-usando-impressao-digital-para-acessar-banco-de-dados-medico-tecnologia-medica-e-conceito-futurista_321763196.htm#fromView=search&page=1&position=23&uuid=eba55eac-16cc-49b5-a318-0d4844574df6&track=ais_hybrid&query=inova%C3%A7%C3%A3o+em+sa%C3%BAde





