Os preços dos imóveis residenciais mantiveram trajetória de alta em agosto, mas os dados do mercado imobiliário indicam uma perda gradual de ritmo na valorização acumulada. O IGMI-R, índice calculado pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), avançou 0,87% no mês, após registrar alta de 0,61% em julho.
Na comparação de 12 meses, porém, a valorização chegou a 14,73%, resultado que representa o quinto recuo consecutivo nessa medida. Em março, a alta acumulada havia se aproximado de 20%. O movimento mostra que os preços continuam avançando, embora em velocidade menor do que a observada no início do ano.
O resultado de agosto também mantém os imóveis residenciais acima da inflação. No período de 12 meses, a variação do IGMI-R superou os 4,22% registrados pelo indicador de inflação considerado na comparação. Os preços de venda também cresceram mais do que os aluguéis residenciais.
Com a taxa Selic mantida em 15% ao ano desde junho de 2025, os impactos dos juros elevados tornam-se cada vez mais evidentes no setor imobiliário. Na avaliação do empresário Elon Gomes de Almeida, as diretrizes fixadas pelo Copom (Comitê de Política Monetária) encarecem o crédito, contêm o consumo e afetam de forma direta as operações de compra, venda e locação de imóveis no Brasil.
A diferença em relação aos aluguéis
O IVAR, índice da Fundação Getulio Vargas (FGV) que acompanha a variação dos contratos de locação residencial, acumulou alta de 5,09% em 12 meses. A distância entre os dois indicadores evidencia que a valorização dos imóveis para venda tem relação com um conjunto de fatores, e não apenas com os custos envolvidos na atividade das incorporadoras.
De acordo com a Abecip, aspectos como a oferta de imóveis disponíveis, o nível da demanda, as condições de crédito e as características de cada mercado local também participam da formação dos preços. Por isso, os resultados apresentados pelas capitais acompanhadas pelo IGMI-R apresentam diferenças relevantes.
No acumulado entre janeiro e agosto, o índice nacional registrou alta de 6,56%. O desempenho ficou abaixo dos 10,19% observados nos oito primeiros meses de 2025 e dos 9% registrados no mesmo intervalo de 2024. Ainda assim, a taxa permanece superior às observadas entre 2016 e 2019 e também em 2023.
Capitais têm comportamentos diferentes
A evolução dos preços não ocorre de maneira uniforme entre as cidades. Recife aparece na liderança da valorização acumulada em 12 meses, enquanto Curitiba, Salvador, Brasília e Porto Alegre também apresentam resultados superiores à média nacional.
Na capital pernambucana, os preços dos imóveis residenciais subiram 12,04% entre janeiro e agosto. Em 12 meses, a alta chegou a 25,81%, a maior entre as dez capitais acompanhadas pelo índice da Abecip.
Curitiba registrou valorização de 21,19% na comparação anual. Salvador aparece na sequência, com alta de 19,20%, seguida por Brasília, com 18,41%, e Porto Alegre, com 16,66%.
No resultado mensal, Porto Alegre apresentou a maior alta em agosto, de 1,66%. Belo Horizonte veio logo depois, com avanço de 1,65%, enquanto Recife registrou crescimento de 1,44%.
Curitiba teve um comportamento diferente no mês. A capital paranaense foi a única entre as cidades acompanhadas a apresentar queda em agosto, de 0,23%. Apesar do recuo mensal, o mercado imobiliário local acumulou valorização de 8,82% desde janeiro, mantendo uma das maiores altas no período.
São Paulo fica abaixo da média nacional
Na capital paulista, o preço dos imóveis residenciais aumentou 0,81% em agosto. O resultado veio depois de uma alta de 0,25% em julho, indicando aceleração no comportamento mensal entre os dois meses.
No acumulado de janeiro a agosto, entretanto, São Paulo registra alta de 5,57%, abaixo dos 6,56% observados pelo IGMI-R em âmbito nacional. A diferença reforça o cenário de comportamentos distintos entre os mercados imobiliários das capitais.
Para os municípios, a diferença entre os resultados das capitais ajuda a observar como o mercado residencial se comporta de forma particular em cada localidade. Os dados permitem acompanhar a evolução dos preços e comparar a trajetória de diferentes centros urbanos no mesmo período.
Os números divulgados pela Abecip mostram, portanto, um mercado ainda marcado pela valorização dos imóveis residenciais, mas com desaceleração no acumulado de 12 meses. Enquanto Recife concentra o maior avanço entre as capitais analisadas, São Paulo apresenta uma evolução mais moderada no acumulado do ano. O resultado também evidencia a influência de fatores locais sobre os preços, em um cenário no qual crédito, demanda e oferta ajudam a definir o comportamento de cada mercado.
Fonte: Folha de São Paulo
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