O uso das chamadas canetas emagrecedoras ganhou espaço no tratamento da obesidade e do sobrepeso. Esses medicamentos, que imitam hormônios intestinais como o GLP-1, atuam em diferentes mecanismos do organismo. Entre os efeitos mais conhecidos estão a redução do apetite, o aumento da saciedade, o retardo do esvaziamento gástrico e a melhora da sensibilidade à insulina. Na prática, esses fatores contribuem para a diminuição da ingestão calórica e favorecem a perda de peso.
Apesar dos resultados, o tratamento não está livre de efeitos adversos. Os mais comuns são de origem gastrointestinal, como náuseas, vômitos e diarreia, especialmente nas primeiras semanas de uso. Com o ajuste gradual da dose, esses sintomas tendem a diminuir.
Dentro desse contexto, um tema tem despertado atenção nos consultórios: a queda de cabelo associada ao uso dessas medicações. O dermatologista Stanley Bessa, com mais de 25 anos de atuação, explica que o problema não está diretamente ligado ao medicamento, mas às mudanças rápidas que ocorrem no organismo durante o emagrecimento.
Queda de cabelo está ligada ao emagrecimento acelerado
“A perda capilar observada em alguns pacientes é, na maioria das vezes, consequência do emagrecimento rápido. Esse processo pode desencadear o chamado eflúvio telógeno, uma condição temporária em que um número maior de fios entra na fase de queda”, explica Stanley Bessa.
De acordo com o dermatologista, o quadro costuma surgir entre o segundo e o quarto mês após o início do tratamento, período em que a redução de peso tende a ser mais intensa segundo estudos. “Trata-se de uma resposta do organismo a um estresse metabólico, comum em mudanças bruscas no balanço energético”, destacou o Dr. Stanley Bessa.
O médico também explica que em geral essa queda é reversível. “Com a estabilização do peso e a recuperação do equilíbrio nutricional, os fios tendem a voltar ao ciclo normal de crescimento”.
Alimentação inadequada agrava o problema
O Dr. Stanley Bessa explica que outro fator determinante é a qualidade da alimentação durante o tratamento. “Dietas muito restritivas, com baixa ingestão de proteínas, ferro, zinco e vitaminas do complexo B, podem comprometer a saúde capilar”.
Stanley Bessa reforça que o acompanhamento profissional é fundamental para evitar deficiências nutricionais. “O tratamento da obesidade não deve focar apenas na perda de peso, mas também na preservação da saúde metabólica, hormonal e nutricional”.
Atenção redobrada em casos de predisposição à calvície
Embora o eflúvio telógeno seja, em geral, temporário, há situações em que o impacto pode ser mais significativo. “Pessoas com predisposição genética à alopecia androgenética, conhecida como calvície, devem ter atenção redobrada”, alerta o Dr. Stanley Bessa.
De acordo com o dermatologista, em casos como estes a queda acentuada pode acelerar o processo de miniaturização dos fios. “O cabelo que cresce após a fase de queda pode apresentar espessura reduzida e menor densidade, o que torna o quadro mais difícil de reverter sem intervenção adequada”, apontou Stanley Bessa.
Estratégias ajudam a preservar a saúde dos fios
A boa notícia, segundo Dr. Stanley Bessa, é que existem formas de minimizar os impactos no cabelo durante o processo de emagrecimento. A base está em uma estratégia nutricional equilibrada.
“Cerca de 85% da estrutura do fio capilar é composta por queratina, uma proteína. Sem ingestão adequada de aminoácidos, a produção dessa proteína é comprometida”, afirma Stanley Bessa.
Entre as principais recomendações estão:
- Garantir ingestão adequada de proteínas, priorizando carnes, ovos e laticínios
- Manter níveis adequados de ferro e zinco, presentes em vegetais verde-escuros e leguminosas
- Associar vitamina C para melhorar a absorção do ferro e manter bons níveis de vitamina D
- Incluir vitaminas do complexo B, como biotina (B7) e B12, encontradas em ovos, grãos integrais e carnes
De acordo com o Dr. Stanley Bessa, esses nutrientes desempenham papel essencial no ciclo de crescimento dos fios e na manutenção da saúde do couro cabeludo.
Avaliação médica é indispensável
Dr. Stanley Bessa alerta que diante da queda de cabelo, a automedicação não é recomendada. “O uso indiscriminado de suplementos pode causar efeitos contrários. O excesso de nutrientes como zinco ou vitamina A, por exemplo, também está associado à queda capilar”.
“A avaliação com dermatologista é o caminho mais seguro para identificar a causa do problema. Em alguns casos, pode ser indicado o uso de terapias específicas, como minoxidil ou finasterida, especialmente quando há associação com alopecia androgenética”, explicou Stanley Bessa.
O dermatologista alerta que o uso das canetas emagrecedoras deve sempre ocorrer com prescrição e acompanhamento médico. “Na prática clínica, o equilíbrio entre alimentação adequada, acompanhamento profissional e cuidado com o organismo como um todo é o que garante resultados sustentáveis, tanto para o peso quanto para a saúde dos cabelos”, concluiu Dr. Stanley Bessa.
Sobre o Dr. Stanley Bessa

Dr. Stanley Bessa é médico dermatologista (CRM 35165 / RQE 33407) com mais de 25 anos de atuação. Graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e possui pós-graduações em Dermatologia Cirúrgica, Medicina Estética e áreas correlatas. Atua com foco em cirurgia dermatológica, transplante capilar e procedimentos minimamente invasivos, além de ser habilitado na técnica ELFA. Atende em Brasília e também se dedica à formação de médicos em instituições especializadas.
Imagem: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/jovem-segurando-cabelo-caido_81620003.htm









