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Mobilidade elétrica ganha escala nas capitais e redefine o transporte urbano no Brasil

Equipe Revista Prefeitos de São Paulo by Equipe Revista Prefeitos de São Paulo
26/01/2026
in Economia
Mobilidade elétrica ganha escala nas capitais e redefine o transporte urbano no Brasil
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A mobilidade elétrica deixou de ser tendência emergente e passou a ocupar espaço relevante na agenda energética e urbana do Brasil, especialmente nas capitais. O avanço da frota eletrificada, aliado à ampliação gradual da infraestrutura de recarga, indica uma mudança estrutural no padrão de transporte, ainda que marcada por desigualdades regionais.

Segundo o Balanço Energético Nacional 2025, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em parceria com o Ministério de Minas e Energia (MME), o número de veículos eletrificados em circulação no país saltou de cerca de 1,9 mil unidades em 2020 para mais de 215 mil em 2024. O crescimento, superior a 100 vezes em cinco anos, teve impacto direto no consumo de eletricidade no setor de transporte, que avançou de 14 GWh para 309 GWh no mesmo período.

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O levantamento aponta que a expansão é puxada principalmente pelos veículos leves plug-in, tanto híbridos plug-in (PHEV) quanto elétricos a bateria (BEV), hoje líderes nas vendas de eletrificados no mercado brasileiro.

Capitais puxam o crescimento

Apesar de o Brasil ainda estar distante de mercados mais maduros, como Europa e Ásia, o ritmo de adoção nas capitais chama atenção. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) indicam que, em novembro de 2025, Brasília superou São Paulo em emplacamentos de veículos eletrificados. A capital federal licenciou 2.413 unidades no mês, frente a 2.399 na capital paulista. Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Curitiba também figuram entre as cidades com maior volume de registros.

“Brasília colhe os resultados de uma política clara de incentivo ao carro elétrico que já tem alguns anos, principalmente a isenção do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA)”, declarou Ricardo Bastos, presidente da ABVE.

No mesmo mês, os veículos eletrificados responderam por 9,3% das vendas de veículos leves no país, totalizando 227.174 unidades. Em novembro de 2024, essa participação era de 7,1%, o que evidencia uma expansão consistente em 12 meses.

Os incentivos fiscais, combinados a políticas municipais e estaduais, têm se mostrado decisivos para acelerar a adoção, desde que alinhados à realidade do mercado e à infraestrutura disponível.

De acordo com a ABVE, o ranking regional de vendas de veículos leves eletrificados em novembro de 2025 foi liderado pelo Sudeste, com 9.382 unidades (44,2%), seguido por Sul, Centro-Oeste, Nordeste e Norte.

Infraestrutura de recarga em expansão

A infraestrutura de carregamento é um dos pilares da mobilidade elétrica. Até setembro de 2025, o Brasil contava com mais de 16.800 pontos de recarga distribuídos em mais de mil municípios, com forte concentração na região Sudeste. A maior parte desses pontos, porém, não é de recarga rápida ou ultrarrápida, mas de carregamento lento, utilizado enquanto o veículo permanece estacionado.

A limitação da rede ainda pesa na decisão de compra. Pesquisa do Webmotors mostra que 54% dos brasileiros apontam a falta de pontos de carregamento como principal barreira para adquirir um veículo híbrido ou elétrico.

Programas federais como o Mover (Mobilidade Verde), além de iniciativas estaduais e municipais, têm buscado reduzir esse gargalo ao oferecer incentivos à indústria, à infraestrutura e à adoção de tecnologias de baixa emissão.

Desafios urbanos persistem

Mesmo com avanços, a consolidação da mobilidade elétrica em escala urbana enfrenta entraves estruturais. A distribuição desigual dos eletropostos cria áreas com alta concentração de infraestrutura e outras praticamente desassistidas, sobretudo em bairros periféricos e cidades com menor renda.

Esse cenário afeta a confiança do consumidor e limita o uso do veículo elétrico como solução cotidiana. Para gestores públicos, o desafio envolve equilibrar viabilidade econômica, planejamento urbano e acesso equitativo, evitando que a eletrificação se restrinja a nichos específicos.

Algumas capitais, no entanto, despontam como referências. São Paulo mantém protagonismo no transporte coletivo, com a incorporação progressiva de ônibus elétricos à frota municipal, reduzindo emissões locais e melhorando a qualidade do ar. Brasília se destaca pelo avanço acelerado dos emplacamentos, impulsionado por incentivos fiscais. Curitiba e Belo Horizonte seguem trajetória gradual, combinando planejamento urbano, expansão da recarga e políticas de mobilidade sustentável.

Mobilidade elétrica e estratégia urbana

Especialistas apontam que a eletrificação, isoladamente, não resolve os desafios urbanos. Para gerar benefícios ambientais e sociais duradouros, ela precisa estar integrada a uma estratégia mais ampla, que inclua transporte coletivo de baixa emissão, modais ativos, mobilidade compartilhada e planejamento urbano voltado à redução de deslocamentos longos.

Segundo a ONU-Habitat, a eletromobilidade pode contribuir para cidades sustentáveis “ao aumentar a eficiência energética dos veículos e apoiar a mudança para o transporte público e a mobilidade ativa, desde que as soluções sejam integradas aos sistemas de transporte existentes”, conforme destaca o documento “A integração é fundamental: o papel da mobilidade elétrica para cidades sustentáveis e de baixo carbono”.

Como superar os desafios da recarga de motos elétricas no Brasil?

Apesar do crescimento, a rede teve aumento de 14% entre fevereiro e agosto de 2025, a maioria dos carregadores instalados ainda é do tipo lento (corrente alternada, AC), com recargas que levam várias horas. 

Para Rodrigo Borges Torrealba, CEO da MotoX, as motos elétricas, cujo potencial de mobilidade urbana e entrega urbana é alto, essa realidade pode comprometer a viabilidade no dia a dia, especialmente para quem não tem acesso fácil a recarga doméstica. Saiba mais clicando aqui.

Fonte: Além da Energia
Foto: https://br.freepik.com/fotos-gratis/carregador-conectado-a-um-carro-eletrico-na-estacao-de-carga_14996660.htm

Tags: Rodrigo Borges Torrealba
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