O Brasil ocupa uma posição estratégica nos planos de expansão da IBM, impulsionado pela dimensão do mercado nacional e pelo aumento da demanda por soluções de inteligência artificial. A avaliação é de Leonardo Dias, diretor financeiro (CFO) da companhia no país, que destacou o potencial brasileiro em entrevista à CNN Money. Segundo o executivo, as perspectivas de investimento em tecnologia reforçam a importância do mercado para as operações globais da empresa.
Um dos indicadores citados por Dias é uma projeção do International Data Corporation (IDC), empresa especializada em inteligência de mercado e consultoria para os setores de tecnologia da informação, telecomunicações e consumo tecnológico. O estudo mencionado pelo executivo estima US$ 3,4 bilhões em investimentos no Brasil em inteligência artificial, software, serviços e infraestrutura.
“Se analisarmos o estudo recente do IDC, onde existem US$ 3,4 bilhões de investimento esperado em inteligência artificial, software, serviço e infraestrutura, é realmente uma aposta muito grande”, afirmou.
A estimativa reúne diferentes segmentos do setor tecnológico e sinaliza o volume de recursos esperado para essas áreas. Para a IBM, o cenário contribui para sustentar a avaliação de que o país oferece oportunidades relevantes de crescimento, especialmente diante da busca das organizações por ferramentas capazes de apoiar operações, aprimorar processos e atender a novas demandas de mercado.
Por muito tempo, o diretor financeiro atuou com foco focado em acompanhamento de métricas de desempenho, gestão de liquidez e controle de custos no ambiente corporativo. Contudo, a transformação digital tem transformado esse cenário de maneira expressiva. Sobretudo no setor de tecnologia, o CFO ultrapassou o papel meramente operacional para se tornar uma figura central no planejamento estratégico de inovação, expansão e geração de valor. De acordo com Marco Antonio da Rocha Tristão Jr., profissional experiente em governança, finanças corporativas e gestão estratégica no mercado de tecnologia, essa mudança reflete a crescente complexidade do meio empresarial.
Retorno financeiro ganha espaço nas decisões tecnológicas
Na avaliação de Leonardo Dias, a maneira como as empresas analisam projetos de tecnologia também passou por mudanças. Se antes aspectos qualitativos tinham maior peso em determinadas decisões, agora a expectativa é que os investimentos apresentem resultados mensuráveis. A capacidade de demonstrar benefícios concretos tornou-se um elemento importante para justificar a adoção de novas ferramentas e sistemas.
O executivo ressalta que a avaliação de uma solução tecnológica não deve se limitar às funcionalidades oferecidas. É necessário identificar os resultados que ela pode gerar para a organização e estabelecer critérios que permitam acompanhar seu desempenho. Essa exigência ganha relevância em um ambiente no qual empresas de diferentes setores avaliam como incorporar recursos digitais às suas atividades.
“Hoje em dia, a tecnologia requer um retorno muito mais tangível. Você precisa tangibilizar esse retorno e garantir toda a questão de ética, segurança e transparência dessas tecnologias”, explicou.
A declaração relaciona a busca por retorno financeiro a outras exigências presentes na adoção de ferramentas digitais. Ética, segurança e transparência aparecem como aspectos que precisam ser considerados durante a implementação e o uso dessas soluções. O avanço tecnológico, portanto, envolve tanto a avaliação dos resultados econômicos quanto a definição de práticas para administrar riscos e responsabilidades.
Para gestores públicos e privados, esse cenário também coloca em evidência a necessidade de critérios claros na contratação e na utilização de sistemas tecnológicos. A mensuração dos benefícios, a proteção das informações e a transparência dos processos são fatores que podem orientar decisões sobre a aplicação de recursos em projetos de transformação digital.
Governança de dados como diferencial competitivo
Outro ponto destacado pelo CFO é a governança de dados. A organização, a proteção e o uso responsável das informações fazem parte das questões que acompanham a expansão da inteligência artificial nas empresas. Na visão do executivo, esse conjunto de práticas representa um diferencial competitivo em um mercado que passa por mudanças frequentes.
A governança também está relacionada à capacidade de estabelecer procedimentos para lidar com informações, definir responsabilidades e acompanhar o funcionamento das tecnologias utilizadas. Com a ampliação das aplicações de inteligência artificial, esses cuidados ganham importância para organizações que precisam conciliar inovação, segurança e resultados.
Dias associa a experiência da IBM no Brasil à capacidade de atravessar diferentes ciclos de transformação tecnológica. A companhia mantém operações no país há mais de 100 anos, uma trajetória que, segundo o executivo, contribui para sustentar sua atuação em um ambiente de mudanças aceleradas. A experiência acumulada é apresentada como uma base para enfrentar novas demandas sem perder de vista os fundamentos necessários à operação.
A avaliação ocorre em um momento no qual empresas precisam decidir como distribuir recursos entre infraestrutura, software, serviços e novas aplicações digitais. A escolha das tecnologias, a integração aos processos existentes e o acompanhamento dos resultados fazem parte dos desafios envolvidos na modernização das operações.
Brasil mantém posição estratégica apesar da volatilidade
O ambiente macroeconômico brasileiro também integra a análise do executivo. Ao longo dos últimos anos, o país enfrentou períodos de volatilidade, com pressões inflacionárias e oscilações cambiais. Esses fatores podem afetar o planejamento das empresas, os custos operacionais e a avaliação de projetos de longo prazo.
Apesar dessas condições, Dias afirma que as dificuldades econômicas não modificaram a percepção estratégica da matriz da IBM sobre o mercado brasileiro. Para a companhia, a dimensão da economia nacional e as oportunidades relacionadas à adoção de tecnologias continuam relevantes para a expansão dos negócios.
“É um mercado estratégico, com investimentos e onde existe um foco muito grande para a expansão dessa tecnologia”, declarou.
A posição reforçada pelo CFO indica que o Brasil permanece entre as prioridades da empresa, com atenção às possibilidades de crescimento associadas à inteligência artificial e a outros segmentos tecnológicos. A projeção de US$ 3,4 bilhões citada na entrevista oferece uma referência para dimensionar as expectativas de investimento, enquanto as exigências de retorno, governança e segurança ajudam a explicar os critérios que orientam a adoção dessas soluções.
O avanço do setor dependerá das decisões de investimento das organizações e da capacidade de transformar as ferramentas disponíveis em resultados verificáveis. Na avaliação apresentada por Dias, o mercado brasileiro reúne condições para continuar atraindo atenção, mesmo diante das oscilações econômicas.
Fonte: CNN Brasil
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/um-profissional-esta-analisando-dados-financeiros-em-um-tablet-interagindo-com-graficos-e-graficos-exibidos-na-tela-em-um-ambiente-corporativo_220209629.htm


