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Educação pública é prioridade para brasileiros, aponta pesquisa nacional

Equipe Revista Prefeitos de São Paulo by Equipe Revista Prefeitos de São Paulo
04/09/2026
in Cidades
Educação pública é prioridade para brasileiros, aponta pesquisa nacional
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A educação pública está entre os temas que a população considera prioritários para os próximos anos. É o que mostra a pesquisa “O que a população pensa sobre a educação 2026”, realizada pelo Instituto Ideia a pedido da Fundação Itaú, Fundação Lemann, Instituto Natura, Instituto Sonho Grande, Instituto Unibanco e Todos Pela Educação.

O levantamento ouviu 20 mil brasileiros com 16 anos ou mais entre maio e julho deste ano. A margem de erro é de 1 ponto percentual. Entre os resultados, a pesquisa revela diferenças significativas na percepção sobre a qualidade das escolas públicas e indica quais medidas os entrevistados consideram mais importantes para a educação.

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No conjunto do país, 49% afirmam que a qualidade das escolas públicas de seus estados melhorou ou melhorou muito nos últimos quatro anos. Já 17% dizem que a situação piorou ou piorou muito.

São Paulo e Rio de Janeiro aparecem com os menores índices de percepção positiva sobre a evolução da educação pública. Em São Paulo, 33% consideram que houve melhora ou muita melhora. No Rio de Janeiro, o percentual é de 38%. Nos dois estados, 25% afirmam que a qualidade piorou ou piorou muito.

Diferenças entre as regiões brasileiras

O Nordeste apresenta a percepção mais positiva sobre a evolução das escolas públicas, com 56% dos entrevistados indicando melhora ou muita melhora. Alagoas lidera o levantamento, com 66%, enquanto Ceará e Sergipe registram 65% cada.

O Sudeste apresenta o menor percentual entre as regiões, com 43%. A diferença aparece também na avaliação direta da qualidade das escolas públicas.

No Rio de Janeiro, 31% classificam as escolas como ótimas ou boas, enquanto 28% avaliam a qualidade como ruim ou péssima. Em São Paulo, os índices são de 38% e 26%, respectivamente.

Santa Catarina registra a melhor avaliação entre os estados, com 60% de respostas classificando a qualidade como ótima ou boa. Ceará aparece com 59%, seguido pelo Paraná, com 57%.

Pedro Rodrigues, coordenador de políticas educacionais do Todos pela Educação, afirma que os resultados mostram que a população consegue identificar diferenças na qualidade da educação pública.

“São Paulo e Rio de Janeiro ajudam a ilustrar essa relação. Os dois estados não estão hoje entre os que apresentam os melhores resultados educacionais do país e também recebem avaliações mais críticas da população.”

Segundo Rodrigues, a pesquisa não permite estabelecer exatamente quais fatores explicam a avaliação de cada estado. Os dados, porém, apontam uma relação entre os resultados educacionais e a percepção da população.

Nos últimos quatro anos, São Paulo esteve sob o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). No Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) comandou o estado durante a maior parte do período e deixou o cargo em março.

As secretarias de Educação de São Paulo e do Rio de Janeiro foram procuradas por e-mail e telefone na manhã desta quinta-feira (3), mas não responderam aos pedidos de posicionamento até o momento.

Valorização dos professores lidera prioridades

Entre as medidas consideradas mais importantes para os próximos anos, a valorização dos professores ocupa o primeiro lugar. Melhorar os salários e as condições de trabalho dos profissionais foi apontado por 53% dos entrevistados.

A ampliação dos cursos técnicos para jovens do ensino médio aparece na sequência, com 48%. Garantir que todas as crianças aprendam a ler e escrever até os 8 anos foi citado por 47%. Melhorar a formação dos professores teve 37%, enquanto ampliar as vagas em creches alcançou 23%. Os participantes podiam indicar mais de uma alternativa.

A alfabetização também ganhou destaque quando a pesquisa abordou as eleições. Para 83% dos entrevistados, o tema deve ser uma prioridade dos candidatos. Apenas 25% consideram que as crianças estão aprendendo a ler e escrever no ritmo esperado.

Na definição espontânea sobre o que caracteriza uma escola de qualidade, “Ensino de qualidade” foi o item mais citado, com 17,8%. A presença de professores e profissionais qualificados, preparados e comprometidos aparece em seguida, com 13,1%.

As prioridades mudam conforme a região. No Sudeste, Sul e Centro-Oeste, ampliar os cursos técnicos ocupa a segunda posição. No Norte e no Nordeste, a alfabetização vem logo depois da valorização dos professores.

Patrícia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social/Fundação Itaú, relaciona a aprendizagem às condições de trabalho e à remuneração dos docentes.

“Estamos ainda distantes de garantir a dedicação integral do professor a uma única escola, mas, com a expansão da educação em tempo integral, essa precisa ser uma meta prioritária.”

Ensino técnico e jornada ampliada

A expansão do ensino técnico conta com o apoio de oito em cada dez entrevistados. O mesmo percentual considera que um curso técnico de qualidade aumenta as chances de conseguir uma vaga no mercado de trabalho.

Já a avaliação sobre a preparação oferecida atualmente pelas escolas públicas é menos positiva. Apenas 25% afirmam que a rede prepara bem os estudantes para o mercado de trabalho, enquanto 40% discordam. Quando o assunto é a preparação para o ensino superior, 27% fazem uma avaliação positiva e 38% discordam.

O ensino em tempo integral também é conhecido por uma parcela significativa da população. O modelo considera escolas nas quais os alunos permanecem pelo menos sete horas por dia. Segundo a pesquisa, 71% dos brasileiros já ouviram falar de escolas públicas com essa modalidade. Entre pais e responsáveis, o índice chega a 90%.

Entre aqueles que conhecem o modelo, 52% afirmam que matriculariam os filhos ou já possuem crianças matriculadas em escolas de tempo integral. A intenção é maior nas classes C, com 59%, e D/E, com 58%. Nas classes A/B, o percentual é de 38%.

Para Lia Rolnik, diretora-executiva interina do Instituto Sonho Grande, a maior adesão entre famílias das classes C e D/E pode estar relacionada ao contato com o modelo e aos benefícios práticos proporcionados pela jornada ampliada.

“O modelo pode ser percebido não apenas como uma escolha educacional, mas como uma política de equidade, proteção e ampliação de oportunidades”, afirma Rolnik.

A pesquisa mostra ainda que 43% dos entrevistados defendem o uso do período adicional em atividades diversificadas, como projeto de vida e esportes.

A educação também aparece como uma questão relevante para as eleições. Para 83% dos brasileiros, a área deveria estar entre as três prioridades dos governadores nos próximos quatro anos. Para 71%, a atuação do governo na educação influencia a decisão de voto.

Fonte: Folha de São Paulo
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/criancas-felizes-na-escola-primaria_3082898.htm

Tags: Educação
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