O Sistema Cantareira, responsável por abastecer cerca de 10 milhões de moradores da Região Metropolitana de São Paulo, contará com um reforço na disponibilidade de água após a autorização concedida à Sabesp para ampliar a transferência de recursos hídricos da bacia do Rio Paraíba do Sul. A medida foi aprovada em caráter temporário e excepcional e pretende reduzir os impactos provocados pela estiagem sobre um dos principais sistemas de abastecimento do estado.
A decisão foi tomada na segunda-feira (22) pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), em conjunto com os órgãos responsáveis pela gestão dos recursos hídricos de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A autorização permanecerá válida até 31 de dezembro de 2026.
O cenário atual acende um sinal de atenção. O Sistema Cantareira opera com 39,9% da capacidade de armazenamento, índice inferior à média histórica e suficiente para mantê-lo na faixa de atenção. Já o Sistema Integrado Metropolitano, formado por sete reservatórios que abastecem a Grande São Paulo, registra 52,5% da capacidade.
Limite de transferência será elevado
Com a autorização, a Sabesp poderá aumentar o volume de água transportado do reservatório da Usina Hidrelétrica Jaguari, localizado na bacia do Rio Paraíba do Sul, para o reservatório Atibainha, integrante do Sistema Cantareira.
O limite anual autorizado passará de 162 hectômetros cúbicos para até 268,28 hectômetros cúbicos durante 2026. Cada hectômetro cúbico corresponde a 1 bilhão de litros de água.
Segundo os órgãos gestores, a ampliação atende a um pedido apresentado pela Sabesp e recebeu manifestação favorável dos comitês das bacias hidrográficas do Paraíba do Sul, Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) e Alto Tietê.
A medida busca ampliar a segurança hídrica em um momento de menor disponibilidade de água, permitindo maior flexibilidade na operação do sistema de abastecimento paulista.
O acompanhamento do nível do Cantareira continuará sendo determinante para as decisões operacionais. Caso o armazenamento permaneça abaixo de 40%, o sistema poderá avançar para a faixa 3, classificada como situação de alerta.
Se isso ocorrer, a vazão autorizada para captação será reduzida de 31 metros cúbicos por segundo para 27 metros cúbicos por segundo, diminuindo o volume disponível para abastecimento.
Medida prevê regras para suspensão
A autorização não é permanente nem automática durante todo o período de vigência. O documento estabelece situações em que o aumento da transferência deverá ser interrompido.
Uma das hipóteses ocorre caso o Sistema Cantareira recupere mais de 60% de seu volume útil. A suspensão também poderá acontecer se a Sabesp voltar a utilizar a vazão média mensal de retirada sem restrições operacionais.
Outra condição imposta pelos órgãos responsáveis determina que a companhia adote medidas para reduzir possíveis impactos sobre os reservatórios das hidrelétricas de Jaguari, Santa Branca, Paraibuna e Funil, que integram o Sistema Paraíba do Sul.
Em nota, a Sabesp afirmou que a autorização faz parte das regras já previstas para a operação do Sistema Cantareira.
“A autorização está prevista nas regras de operação do Sistema Cantareira e integra os mecanismos de gestão definidos pela outorga vigente.”
A companhia informou ainda que pretende ampliar os investimentos destinados à segurança do abastecimento. Segundo a empresa, estão previstos R$ 7,8 bilhões até 2030 para ações voltadas ao fortalecimento da infraestrutura hídrica.
Entre os projetos anunciados estão a modernização das instalações, o aumento da capacidade de tratamento de água e a implantação de novas interligações entre mananciais, com o objetivo de tornar os sistemas mais resilientes diante de diferentes cenários climáticos.
A Sabesp também destacou que realiza monitoramento permanente das condições hidrológicas para orientar a operação dos reservatórios.
“A empresa acompanha continuamente os níveis dos reservatórios, as vazões e as condições climáticas para ajustar a operação dos sistemas e sustenta que as projeções para 2026 indicam segurança no abastecimento mesmo em diferentes cenários hidrológicos.”
Com a autorização válida até dezembro de 2026, a companhia ganha margem para reforçar o Sistema Cantareira durante o período de estiagem, enquanto os órgãos gestores mantêm mecanismos de controle para equilibrar a disponibilidade de água entre as bacias envolvidas e preservar o abastecimento das regiões atendidas pelo Rio Paraíba do Sul.
Fonte: G1
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/paisagem-com-arvores-pedras-ceu-azul-com-nuvens-brancas-e-um-rio-com-agua-lisa-na-frente_6742324.htm








