A inteligência artificial (IA) deixou de ser promessa e passou a influenciar diretamente o cotidiano das empresas de pagamentos. No Brasil, onde o sistema financeiro costuma antecipar tendências, essa transformação ganha velocidade com a combinação de dados em larga escala, infraestrutura digital consolidada e demanda por experiências mais simples.
Para Paulo César Lemes, sócio-fundador da Confrapag, com mais de duas décadas de atuação nos setores de franchising e meios de pagamento, a mudança já está em curso e afeta tanto a operação das empresas quanto o comportamento dos consumidores. “A IA redefine processos internos, reduz atritos nas jornadas de compra e abre espaço para um novo padrão de relacionamento com o cliente”, destacou.
“No centro dessa mudança está a capacidade de processar grandes volumes de dados em tempo real. Plataformas de pagamento operam com múltiplas camadas de risco, exigências regulatórias e perfis variados de usuários. A inteligência artificial entra justamente para lidar com essa complexidade”, completou Paulo César Lemes.
Pagamentos mediados por IA ganham espaço
O sócio-fundador da Confrapag, destaca que um dos movimentos mais recentes envolve o uso de agentes de inteligência artificial como intermediários de consumo. Na prática, o usuário conecta seus dados a uma ferramenta digital e passa a delegar parte da jornada de compra.
“O funcionamento é relativamente simples. O consumidor define preferências, necessidades ou até listas recorrentes de produtos. A partir dessas informações, o sistema busca opções, compara preços e seleciona itens. Antes da conclusão, solicita autorização, que pode ser validada por biometria. Com isso, o pagamento é realizado sem a necessidade de acessar sites, preencher formulários ou digitar senhas”, explicou Paulo César Lemes.
De acordo com o especialista, o modelo reduz etapas e tende a aumentar a conversão no comércio eletrônico, além de também atender a uma demanda antiga do varejo: a busca por conveniência aliada à personalização. “A expectativa do setor é que, ao longo do tempo, isso impacte indicadores como frequência de compra e valor médio por transação”, afirmou Paulo César Lemes.
Segundo o relatório Tecnologias Emergentes para o Setor Bancário 2025, da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), os agentes de IA estão entre os pilares da próxima geração de serviços financeiros. O Brasil aparece com protagonismo nesse cenário, impulsionado por iniciativas anteriores de digitalização e pela rápida adoção de novas tecnologias.
Segurança e experiência entram em novo patamar
A IA é um sistema baseado em aprendizado de máquina que conseguem detectar comportamentos fora do padrão em frações de segundo, bloqueando transações suspeitas antes que causem prejuízos. Por isso, a segurança continua sendo um dos principais motores da adoção de inteligência artificial nos meios de pagamento.
“Esses modelos evoluem continuamente. A cada nova operação, refinam critérios e ampliam a precisão. Isso reduz tanto fraudes quanto falsos positivos, um problema comum em sistemas mais tradicionais. Outro avanço relevante está na tokenização. Em vez de trafegar dados sensíveis do cartão, as transações passam a utilizar códigos criptografados. Na prática, isso diminui o risco de vazamentos, mesmo em ambientes digitais mais expostos”, detalhou Paulo César Lemes.
O especialista também explica que a experiência do usuário também muda . “Com base no histórico de consumo, a IA consegue sugerir produtos, oferecer condições personalizadas e simplificar o fluxo de pagamento. O resultado aparece na fidelização, já que a jornada se torna mais fluida e alinhada ao perfil de cada cliente”.
Paulo César Lemes destaca que no varejo físico as tecnologias como pagamento por aproximação e autenticação biométrica ainda seguem em expansão. Já no ambiente online, soluções de um clique ganham força, apoiadas por infraestruturas cada vez mais integradas.
Infraestrutura mais ágil e novos modelos de negócio
Para Paulo César Lemes a evolução tecnológica não se limita à interface com o consumidor, pois do lado das empresas, há ganhos operacionais importantes. “Sistemas capazes de processar liquidações em tempo real permitem maior previsibilidade de caixa e melhor gestão do capital de giro”.
Ele também destaca que os pagamentos internacionais também passam por mudanças. A tendência é de transações mais rápidas, com maior transparência de custos e menos intermediários. O que para pequenas e médias empresas, significa ampliar o acesso a mercados externos.
“Essas transformações estimulam o surgimento de novos modelos de negócio. Empresas passam a explorar serviços financeiros integrados às suas plataformas, enquanto fintechs ampliam o escopo de atuação com soluções cada vez mais especializadas”, afirmou Paulo César Lemes.
Desafios ainda limitam avanço pleno
Apesar do cenário favorável, Paulo César Lemes afirma que a adoção da inteligência artificial no setor de pagamentos enfrenta obstáculos. A regulação aparece como um dos principais pontos de atenção. “Normas são necessárias para proteger usuários e garantir estabilidade, mas podem atrasar a implementação de inovações quando não acompanham o ritmo tecnológico”, apontou o especialista.
Paulo César Lemes também levanta a questão ética, pois o uso de dados sensíveis exige transparência e responsabilidade. “Decisões automatizadas precisam seguir critérios claros, evitando discriminação ou uso indevido de informações pessoais”.
“A difusão do conhecimento sobre inteligência artificial ainda é desigual, tanto entre empresas quanto entre consumidores. Investir em educação e treinamento se torna fundamental para ampliar o uso consciente dessas ferramentas”, completou o especialista.
Um mercado em redefinição contínua
Para Paulo César Lemes, o cenário aponta para uma integração cada vez maior entre tecnologia e serviços financeiros. A inteligência artificial tende a assumir funções estratégicas, deixando de ser apenas um recurso complementar.
“O setor de pagamentos, que historicamente evolui de forma incremental, passa agora por mudanças mais estruturais. A combinação de automação, segurança avançada e personalização cria um ambiente em que eficiência e experiência caminham juntas”, afirmou o sócio-fundador da Confrapag.
“Mesmo com desafios, o potencial de impacto permanece elevado. A tendência é que a IA continue ampliando seu espaço, influenciando decisões de consumo, estratégias empresariais e o próprio desenho do sistema financeiro nos próximos anos”, concluiu Paulo César Lemes.
Sobre Paulo César Lemes

Paulo César Lemes é administrador com MBA em gestão empresarial e mais de 20 anos de atuação nos setores de franchising e meios de pagamento. É sócio-fundador da Confrapag, empresa que atende redes de franquias em soluções tecnológicas e de gestão. Possui certificações da ABF e formação pela Franchising University.
Lemes acumula passagens por empresas como Microlins, Acqio e Mathice Holding. Na Acqio, liderou o processo de expansão que consolidou a companhia entre as maiores franqueadoras do país.









