O Ministério da Saúde iniciou a oferta de nove medicamentos de alta tecnologia para o tratamento do câncer no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida contempla 13 diferentes indicações oncológicas e tem potencial para beneficiar mais de 116 mil pacientes. A distribuição começou em centros especializados de todas as regiões do país, com previsão de ampliação para os demais serviços até o fim do ano.
A iniciativa integra uma estratégia federal para ampliar o acesso a tratamentos especializados e fortalecer a estrutura de atendimento da rede pública. A aquisição dos nove medicamentos representa um investimento anual de R$ 155,4 milhões. Segundo o ministério, a oferta deverá atender integralmente à demanda pelos produtos.
A primeira etapa contempla 20 centros de tratamento, distribuídos por 16 estados e pelo Distrito Federal. A expansão gradual da assistência exige articulação entre a União, os governos estaduais e os serviços responsáveis pelo atendimento oncológico.
Embora a transformação digital já esteja integrada ao dia a dia dos serviços de saúde, a simples adoção de novas tecnologias não assegura a otimização das operações. Segundo o executivo Gustavo de Carvalho Meres, a inovação só traz resultados efetivos quando acompanhada de uma gestão eficiente, do preparo das equipes e do redesenho dos processos operacionais que sustentam a assistência.
Ampliação das opções terapêuticas no sistema público
O planejamento do Ministério da Saúde prevê a incorporação de 23 novos medicamentos oncológicos até o encerramento do ano. Com a ampliação, a expectativa é aumentar em 35% as alternativas terapêuticas disponíveis no SUS.
Para viabilizar a medida, a pasta assumiu a compra e a negociação direta de dez fármacos. Outros nove serão adquiridos pelos estados por meio de uma ata destinada a viabilizar preços menores. Para os quatro medicamentos restantes, o ministério ampliou os repasses para garantir o custeio dos serviços oncológicos.
O impacto financeiro estimado para o conjunto das medidas é de R$ 4 bilhões por ano. O modelo reúne diferentes instrumentos de aquisição e financiamento para ampliar a disponibilidade dos tratamentos na rede pública.
Durante cerimônia realizada no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a modernização da assistência e a necessidade de oferecer diagnósticos e tratamentos adequados às condições dos pacientes.
“Também estamos fortalecendo as condições de trabalho dos profissionais de saúde, com serviços mais estruturados e uma rede pública cada vez mais preparada para atender às necessidades da população”, disse durante cerimônia.
Segundo o ministério, os medicamentos atuam de maneiras distintas, conforme o tipo de tumor, o estágio da doença e o perfil clínico de cada paciente. Os tratamentos podem contribuir para aumentar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida. Algumas indicações também abrangem o período posterior à cirurgia, quando não há sinais visíveis do tumor, para reduzir o risco de recorrência.
Tratamentos contemplam diferentes diagnósticos
Os nove medicamentos são destinados a pacientes com diferentes tipos de câncer. A lista inclui trastuzumabe, para câncer de estômago ou da junção esofagogástrica; abemaciclibe, para câncer de mama precoce com receptores hormonais positivos, HER2 negativo e comprometimento de linfonodos; e acetato de lanreotida, indicado para tumores neuroendócrinos.
O pazopanibe contempla o câncer renal de células claras metastático. O rituximabe atende casos de leucemia linfocítica crônica em primeira linha, linfoma folicular e linfoma difuso. Já a abiraterona é destinada a diferentes situações do câncer de próstata, incluindo doença resistente à hormonioterapia e casos metastáticos sensíveis a esse tratamento.
A relação inclui ainda gefitinibe, para câncer de pulmão de não pequenas células em primeira linha; alfatirotropina, também chamada de TSH recombinante, para câncer diferenciado de tireoide com indicação de iodo radioativo; e sunitinibe, para câncer renal metastático e tumor estromal gastrointestinal avançado ou metastático após falha ao imatinibe.
Prevenção e diagnóstico precoce
Além da ampliação dos tratamentos, o governo federal anunciou a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais, conhecidos como FIT, para rastreamento do câncer colorretal em todos os estados. O exame será utilizado em homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos para identificar quem precisa realizar colonoscopia para confirmação diagnóstica. A precisão informada pelo ministério é de 92%.
“Nós estamos construindo o maior programa público de rastreamento do câncer de colo retal do mundo. Não existe país do mundo que vai fazer o que nós estamos fazendo”, destacou o ministro Alexandre Padilha.
Outra frente envolve o rastreamento do câncer do colo do útero por meio do teste DNA-HPV. Como complemento, o ministério financiará a citologia reflexa em meio líquido, que permite avaliar amostras com sinais de alerta a partir da mesma coleta. O investimento anual previsto é de R$ 2,7 milhões para mais de 131 mil testes.
A pasta também passará a custear cirurgias videotorácicas oncológicas, utilizadas principalmente no tratamento do câncer de pulmão. A técnica minimamente invasiva utiliza pequenas incisões, câmera e instrumentos específicos. Entre os benefícios esperados estão a redução do tempo de internação e das complicações pós-operatórias.
Recursos para hospitais e modernização tecnológica
A agenda federal inclui investimentos no Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS). O compromisso para o próximo triênio prevê R$ 4 bilhões nos três anos seguintes, montante equivalente a aproximadamente um terço dos R$ 11 bilhões investidos pelo programa nos 17 anos anteriores.
Participam da iniciativa hospitais como Albert Einstein, Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz, Beneficência Portuguesa, Moinhos de Vento, A.C. Camargo e Hcor. De acordo com Padilha, as instituições contribuem para a transferência de tecnologia, a capacitação profissional e o aprimoramento da gestão do sistema público.
Também foi anunciada a implantação do primeiro Hospital Inteligente do SUS no complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em parceria com o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente do Brasil (ITMI), responsável pela gestão.
O projeto prevê unidades de terapia intensiva com equipamentos conectados e inteligência artificial para monitoramento remoto em tempo real. A proposta inclui a modernização dos laboratórios de anatomia patológica, com expectativa de reduzir de uma semana para 48 horas o prazo de entrega dos laudos de biópsias por meio de telediagnóstico.
As medidas ampliam a agenda de investimentos federais em assistência especializada, prevenção e infraestrutura hospitalar. Para estados e serviços de saúde, a implementação dependerá da expansão da oferta e da organização dos atendimentos previstos no cronograma do Ministério da Saúde.
Fonte: Agência Brasil
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/close-de-gotejamento-iv-pendurado-acima-da-cama-com-paciente-na-enfermaria-do-hospital_20189960.htm






