A organização da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo confirmou as atrações musicais da edição de 2026, marcada para o dia 7 de junho, na Avenida Paulista. Entre os nomes anunciados estão Gloria Groove, Pepita e Melody, além de artistas ligados à cena LGBTQIA+ e à música periférica brasileira.
A edição deste ano marca os 30 anos da Parada LGBT+ de São Paulo, considerada uma das maiores manifestações do gênero no mundo. A concentração está prevista para começar às 10h, na Avenida Paulista. O tema escolhido pela organização foi “A rua convoca, a urna confirma”, em referência ao cenário político e eleitoral do país.
Além das atrações principais, o evento também contará com apresentações de Jup do Bairro, Dornelles, Isma, o grupo Katy da Voz e as Abusadas e o ator, cantor e drag queen Diego Martins.
Jup do Bairro deve levar ao palco um repertório que mistura rap, funk e experimentações sonoras. Já Isma apresenta o projeto “Made in COHAB”, inspirado em referências do funk, trap, afrobeat e da cultura das periferias paulistanas.
Redução de patrocínios impacta estrutura do evento
A Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), responsável pela organização, informou que a edição de 2026 enfrenta dificuldades financeiras devido à redução de patrocinadores.
Segundo a entidade, alguns artistas abriram mão do cachê para garantir participação na celebração. A diminuição do apoio também afetou a estrutura da Parada, que neste ano terá 14 trios elétricos, número inferior aos 17 utilizados na edição anterior.
O presidente da associação, Nelson Matias, afirmou que o evento atravessa um momento delicado em razão do afastamento de empresas patrocinadoras.
“Hoje, mais do que nunca, precisamos lembrar: não existe orgulho sem democracia. Se o golpe tivesse dado certo, a gente não estaria aqui. Não existe democracia verdadeira sem participação popular nem sem a população LGBT”, afirmou Matias durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (26).
Ele também comentou os impactos econômicos e sociais da redução do investimento privado.
“Muitas empresas têm recuado por medo, pressão política ou até conveniência”, disse.
Segundo a entidade organizadora, a retração ocorre em meio ao avanço de discursos conservadores e à redução de políticas corporativas de diversidade em algumas empresas.
Nos bastidores, artistas e representantes da comunidade LGBTQIA+ têm criticado marcas que costumam utilizar campanhas voltadas ao público LGBT+ durante o mês do orgulho, mas diminuíram ou encerraram o apoio financeiro ao evento neste ano.
Uma das críticas mais repercutidas veio da cantora Pabllo Vittar.
“No ano passado, a Parada movimentou bastante dinheiro. A população LGBTQIA+ também gasta, pega carro de aplicativo, usa cartão de crédito, usa banco, consome restaurante, lota hotel. Então é muito fácil, no mês do orgulho, colocar bandeira colorida no ícone e mudar a foto de perfil, sendo que esse apoio não é verdadeiro para a nossa comunidade”, declarou.
Projeto de lei gera reação da organização
Durante a coletiva, Nelson Matias também criticou o projeto de lei aprovado em primeira votação pela Câmara Municipal de São Paulo que pretende restringir a presença de crianças e adolescentes em eventos com temática LGBTQIA+.
A proposta, de autoria do vereador Rubinho Nunes, determina que eventos ligados à pauta LGBTQIA+ sejam realizados apenas em espaços fechados e com controle de entrada, além de prever classificação indicativa para maiores de 18 anos.
O texto também estabelece multas que podem chegar a R$ 1 milhão em caso de descumprimento.
Em resposta ao projeto, Matias afirmou que famílias continuarão presentes na Parada.
“Vai ter criança, sim”, declarou.
O presidente da associação reforçou que a Parada LGBT+ tem caráter político e histórico, além do aspecto festivo.
“A Parada nunca foi construída como um grande evento. É um ato de resistência, espaço de defesa da democracia e dos direitos humanos”, afirmou.
O projeto ainda precisará passar por uma segunda votação antes de seguir para eventual sanção do prefeito.
Advogados ouvidos pelo g1 classificaram a proposta como inconstitucional e discriminatória. O advogado Flávio Crocce Caetano, presidente da Comissão de Direito Constitucional da OAB-SP, afirmou que o texto cria restrições direcionadas especificamente à população LGBTQIA+.
“Não se pode proibir que crianças e adolescentes, cuja responsabilidade é dos pais, participem de eventos como esse. Quem decide o que é bom para os filhos são os seus pais”, declarou.
Evento deve movimentar R$ 466 milhões
De acordo com estimativa da Associação Comercial de São Paulo, a Parada LGBT+ deve movimentar cerca de R$ 466,2 milhões na economia da capital paulista em 2026.
O impacto econômico envolve setores como hotelaria, bares, restaurantes, turismo, transporte, comércio informal e venda de adereços. Apesar da previsão positiva, o valor representa queda de 15% em relação ao ano anterior, quando o evento teria movimentado R$ 548,5 milhões.
A Prefeitura de São Paulo tradicionalmente participa da divulgação institucional da Parada e realiza investimentos no evento, embora a celebração não faça parte oficialmente do calendário municipal. Em 2025, a gestão municipal destinou mais de R$ 6 milhões para a realização da festa.
Até o momento, a administração municipal ainda não informou se haverá repasse de recursos para a edição de 2026.
Fonte: G1
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/conceito-de-diversidade-com-as-maos_20522264.htm










