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Justiça autoriza retomada de terreno e Teatro de Contêiner pode deixar área na Luz

Equipe Revista Prefeitos de São Paulo by Equipe Revista Prefeitos de São Paulo
12/01/2026
in Cultura
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Justiça autoriza retomada de terreno e Teatro de Contêiner pode deixar área na Luz
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A Justiça de São Paulo decidiu que a Prefeitura pode retomar o terreno onde funciona o Teatro de Contêiner, na região da Luz, no centro da capital. A área é pública e é ocupada pela Companhia Munguzá desde 2016.

A decisão foi proferida nesta segunda-feira (12/1) pela juíza Nandra Martins da Silva Machado, da 5ª Vara da Fazenda Pública, que considerou encerrado o prazo de 90 dias concedido anteriormente para a permanência do grupo no local.

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Segundo a magistrada, não há impedimento legal para que o município reassuma a posse do imóvel.

A manifestação judicial ocorre após uma série de episódios envolvendo o grupo teatral e o poder público. Os artistas do Teatro de Contêiner, sede da Cia. Munguzá de Teatro, relataram surpresa ao receberem uma notificação extrajudicial da Prefeitura de São Paulo em maio do ano passado.

Em agosto, uma ação da Guarda Civil Municipal forçou os artistas a deixarem a instalação sem possibilidade de retorno, mesmo com pertences pessoais e materiais de trabalho ainda dentro do espaço. A retirada foi registrada em vídeo por um dos integrantes da companhia.

O entendimento da Justiça

Na avaliação do Judiciário, a administração municipal age dentro do direito de propriedade e não precisa de nova autorização judicial para retomar o terreno. A ação analisada tratava apenas da permanência temporária do teatro no espaço, cujo prazo foi considerado encerrado.

Com a conclusão desse período, a Prefeitura fica autorizada a reassumir a posse administrativa da área, sem necessidade de nova decisão específica. O entendimento consta na decisão assinada pela juíza responsável pelo caso.

O processo judicial não analisou o mérito da atividade cultural desenvolvida no local, nem a relevância artística da companhia, mas se concentrou na situação jurídica da ocupação do imóvel público.

Planos para a área

Após a desocupação, a administração municipal informou que pretende promover a revitalização do terreno e do entorno. Entre as propostas estão a construção de moradias e a criação de espaços de lazer, dentro de um conjunto de ações voltadas à requalificação da região central da cidade.

Segundo informações da Prefeitura, ao longo do último ano foram apresentadas quatro alternativas de terrenos ao grupo teatral. Todos os espaços oferecidos ficam na região central e têm áreas maiores do que a ocupada atualmente pelo Teatro de Contêiner.

Entre as opções citadas pela administração municipal está um imóvel localizado na rua Helvétia. A Prefeitura também propôs apoio financeiro no valor de R$ 100 mil para auxiliar no processo de mudança e reinstalação do grupo em um novo endereço.

A Companhia Munguzá mantém atividades artísticas e sociais na região desde que passou a ocupar o terreno na Luz. Ao longo dos anos, o espaço se tornou referência cultural e ponto de encontro para artistas e moradores do entorno.

Com a decisão judicial, o futuro do Teatro de Contêiner passa a depender das negociações com o poder público e da viabilidade de transferência para um dos terrenos indicados pela Prefeitura. Até o momento, não há definição oficial sobre prazos ou datas para a eventual mudança.

A discussão sobre a permanência do teatro mobilizou entidades culturais, moradores e representantes do setor artístico ao longo do último ano. Manifestações públicas e pedidos de diálogo foram registrados após a notificação extrajudicial e a retirada do grupo do espaço. Apesar disso, a decisão judicial manteve o foco estritamente jurídico da ocupação do terreno, sem avançar sobre políticas culturais ou modelos de gestão compartilhada de áreas públicas.

Especialistas em direito administrativo apontam que casos semelhantes envolvendo ocupações culturais em imóveis públicos costumam gerar disputas prolongadas na Justiça. A legislação permite autorizações temporárias de uso, mas exige prazos definidos e instrumentos formais de cessão. No caso da Luz, o entendimento judicial reforça a necessidade de acordos claros entre poder público e iniciativas culturais, especialmente em regiões estratégicas da cidade.

Enquanto não há solução definitiva, a Companhia Munguzá afirma que segue buscando alternativas para manter suas atividades e preservar o projeto cultural iniciado em 2016, aguardando novos desdobramentos administrativos e eventuais tratativas com a Prefeitura de São Paulo.

Fonte: Gazeta de São Paulo
Foto: https://br.freepik.com/imagem-ia-gratis/cenas-retro-do-dia-mundial-do-teatro-com-uma-cortina-de-teatro_136743395.htm

Tags: Justiça
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