O Brasil terá um novo supercomputador dedicado à inteligência artificial, com previsão de entrar em operação em 2027. O projeto prevê investimento de R$ 1,06 bilhão e integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), lançado pelo governo federal em 2024.
A máquina será adquirida por meio de edital e instalada no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba, no Rio Grande do Norte. O equipamento deverá apoiar a criação e o treinamento de modelos de inteligência artificial, além de atender demandas de empresas, universidades, centros de pesquisa e órgãos públicos.
O anúncio faz parte de um conjunto de medidas voltadas à ampliação da infraestrutura brasileira de IA. O governo estima investimentos de R$ 23 bilhões no setor até 2028, dentro das ações previstas pelo PBIA.
No palco do BAVE EUA 2026, evento promovido nos Estados Unidos por Fábio Soares, mentor do programa Avengers Aceleração de Negócios Digitais, a empresária, mentora e palestrante Michele Bouvier Sollack levantou importantes reflexões. Entre as questões debatidas estavam os motivos que levam milhões de pessoas a procurar novas fontes de renda, as razões para a contínua expansão do mercado digital mesmo em momentos de incerteza econômica e o papel que a inteligência artificial desempenhará em meio a um cenário social de sobrecarga informativa e ansiedade crescente.
Supercomputador terá alta capacidade de processamento
A estrutura planejada para o Rio Grande do Norte terá capacidade de 7.200 petaflops. O flop é uma unidade utilizada para medir a quantidade de operações matemáticas que um computador consegue executar por segundo.
Segundo o governo, o desempenho previsto equivale a uma quantidade de cálculos que, se fosse realizada pelos 8 bilhões de habitantes da Terra em conjunto, levaria cerca de 29 anos para ser concluída.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação afirma que o equipamento deverá ficar entre os dez computadores mais potentes do mundo para processamento de inteligência artificial.
A escolha de Macaíba está relacionada, segundo o governo, ao potencial energético do Rio Grande do Norte e à estratégia de descentralizar a infraestrutura tecnológica de alta capacidade no país. A máquina será instalada em uma estrutura vinculada à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
A expectativa é que o novo recurso aumente a capacidade nacional de processamento de dados e contribua para projetos em setores como agricultura, indústria, saúde e prevenção de desastres climáticos.
Rio de Janeiro terá outro supercomputador
O governo também anunciou a implantação de um segundo supercomputador no Rio de Janeiro. O projeto será desenvolvido pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) em parceria com as empresas chinesas Huawei e iFlyTek.
A previsão é que a estrutura comece a funcionar em julho de 2027. Conforme o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o investimento será de R$ 1,276 bilhão ao longo de cinco anos.
Entre as finalidades está o desenvolvimento de um modelo brasileiro de linguagem, com características semelhantes às tecnologias utilizadas em serviços como o ChatGPT. A proposta é criar ferramentas de inteligência artificial mais adaptadas às necessidades do país.
A expansão da capacidade computacional também busca diminuir a dependência brasileira de empresas estrangeiras no processamento e armazenamento de dados.
Governo estrutura Nuvem Brasileira
Outra iniciativa anunciada é a Nuvem Brasileira, projeto destinado à criação de uma estrutura nacional para armazenamento e processamento de dados em nuvem.
A proposta prevê uma solução baseada em padrões abertos e interoperáveis. Dessa forma, o serviço não ficará concentrado em uma única empresa ou tecnologia. A estruturação será feita em parceria entre os setores público e privado.
O projeto envolve o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, o Serpro e o BNDES. O governo também pretende consultar o mercado sobre a capacidade brasileira para desenvolver a solução e sobre o modelo que poderá ser adotado.
Produção de chips entra no plano de longo prazo
O pacote inclui ainda uma estratégia para ampliar a fabricação nacional de chips voltados à inteligência artificial. A iniciativa tem horizonte estimado entre 10 e 15 anos.
O projeto utilizará a arquitetura RISC-V, conjunto de regras que define o funcionamento básico dos processadores. Por ser de código aberto, a tecnologia permite que empresas e instituições desenvolvam chips sem depender de uma arquitetura controlada por uma única companhia.
A iniciativa será conduzida em cooperação com o ecossistema de inovação de Barcelona, na Espanha.
Centro vai avaliar riscos dos sistemas de IA
O governo federal anunciou também a criação do Centro Nacional de Transparência Algorítmica e IA Confiável. A estrutura terá como objetivo acompanhar o funcionamento de sistemas de inteligência artificial e identificar possíveis riscos.
O centro será organizado pelo Centro de Pesquisa Aplicada em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Sua atuação será técnica e não incluirá aplicação de penalidades a empresas.
Entre as atribuições previstas estão pesquisas, desenvolvimento de metodologias e criação de ferramentas relacionadas à transparência, segurança e redução de vieses em sistemas de inteligência artificial.
Fonte: G1
Foto: https://www.magnific.com/br/imagem-ia-gratis/placa-de-circuito-ai_417567907.htm






