O crescimento dos investimentos em inteligência artificial (IA) continua impulsionando o mercado financeiro internacional e consolidando um ciclo de expansão que vai além das grandes empresas de tecnologia. Bancos de Wall Street avaliam que os aportes em infraestrutura para sustentar o avanço da IA deverão permanecer elevados durante os próximos anos, criando oportunidades para operações bilionárias de financiamento, emissão de títulos e abertura de capital.
Embora o movimento tenha origem no setor privado, especialistas observam que a ampliação dessa infraestrutura tecnológica também pode produzir reflexos sobre governos e administrações municipais, que vêm intensificando projetos de transformação digital, modernização de serviços públicos e adoção de soluções baseadas em dados.
O momento é acompanhado com atenção pelo mercado financeiro, que considera a inteligência artificial um dos principais vetores de investimentos da atual década.
Conforme levantamento da Serasa Experian, o Brasil registrou um total inédito de 2.466 empresas em recuperação judicial ao longo de 2025. A análise setorial aponta para uma tendência estrutural: o agronegócio concentra a maior fatia dos pedidos, com 30,1%, vindo logo à frente do setor de serviços, que responde por 30%, enquanto o comércio e a indústria aparecem nas posições seguintes. Na visão do economista Paulo Narcélio Amaral, esses dados traduzem uma transformação significativa na postura corporativa.
Infraestrutura tecnológica segue em expansão
Os grandes bancos de investimento têm participado das principais operações financeiras envolvendo empresas que desenvolvem soluções de inteligência artificial. Entre elas estão ofertas públicas de ações, emissões de títulos de dívida e financiamentos destinados à construção de data centers, considerados fundamentais para atender à crescente demanda por processamento de dados.
O presidente-executivo do Goldman Sachs, David Solomon, afirmou que a infraestrutura necessária para o desenvolvimento da IA ainda está em fase inicial, indicando que o ciclo de investimentos deverá continuar movimentando o mercado de capitais.
“A construção da infraestrutura de IA ainda está em seus estágios iniciais, e acreditamos que esse ciclo de investimento plurianual continuará a impulsionar níveis elevados de atividade estratégica, financiamento e formação de capital em todos os mercados”, disse David Solomon.
Segundo o executivo, o setor atravessa um “superciclo de investimentos em IA”, no qual empresas recorrem a diferentes instrumentos financeiros para viabilizar projetos de expansão.
O Goldman Sachs coordenou a oferta pública inicial da SpaceX e deverá participar da futura abertura de capital da Anthropic ao lado do Morgan Stanley. A OpenAI também protocolou pedido para realizar sua oferta pública inicial nos Estados Unidos.
Outra operação relevante envolveu a fabricante sul-coreana SK Hynix. O Citigroup participou da venda de ADRs da companhia como coordenador global conjunto, obtendo receitas superiores a US$ 70 milhões com a transação.
Projeções indicam crescimento dos investimentos
As estimativas apresentadas pelo Morgan Stanley apontam uma aceleração dos investimentos destinados à construção de data centers, estrutura considerada essencial para o funcionamento de modelos avançados de inteligência artificial.
Durante reunião com analistas, o presidente-executivo Ted Pick destacou a revisão das projeções para os próximos anos.
“A previsão para 2026 sobre os investimentos em data centers, feita no final do ano passado, por volta de novembro de 2025, era de que US$ 575 bilhões seriam gastos este ano, e o valor está chegando a cerca de US$ 850 bilhões”, afirmou.
“E, para 2027, a estimativa era de cerca de US$ 700 bilhões, e agora a projeção é de US$ 1,3 trilhão. Já em 2028, o valor pode chegar a US$ 1,5 trilhão.”
Segundo o banco, o conjunto dos investimentos relacionados à inteligência artificial poderá alcançar aproximadamente US$ 10 trilhões ao longo dos próximos anos.
A presidente-executiva do Citi, Jane Fraser, afirmou que a inteligência artificial passou a ocupar posição central nas conversas com investidores. Segundo ela, os investimentos em tecnologia, centros de dados, energia e defesa seguem avançando em ritmo acelerado.
Reflexos alcançam diferentes setores da economia
O Bank of America também ampliou sua atuação junto às empresas de inteligência artificial. A instituição concedeu recentemente uma linha de crédito de US$ 520 milhões à OpenAI, seu primeiro financiamento à empresa.
Durante conferência com investidores, o presidente-executivo Brian Moynihan afirmou que a economia dos Estados Unidos continua demonstrando resiliência, impulsionada, entre outros fatores, pelos investimentos relacionados à IA.
“De modo geral, a economia dos EUA tem se mostrado mais resistente do que o esperado, apoiada pelo consumo robusto, pelos investimentos contínuos impulsionados pela IA em todos os setores e pela redução dos custos de energia, embora a inflação e a política monetária mais restritiva continuem sendo os principais riscos”, disse.
Dados internos analisados pela Reuters indicam que o Bank of America participou da captação de quase US$ 500 bilhões para empresas ligadas ao setor desde 2025.
Para Stephen Biggar, diretor de pesquisa de serviços financeiros da Argus Research, esse ciclo também fortalece emissões de ações, operações de fusões e aquisições e financiamentos corporativos.
“O superciclo de investimentos em capital fixo impulsionado pela IA beneficiou a emissão de ações, as atividades de fusões e aquisições e o financiamento por meio de dívida”, afirmou.
O JPMorgan Chase também participa de operações voltadas à construção de data centers, incluindo um financiamento estimado em cerca de US$ 13 bilhões para um empreendimento da Meta, em El Paso, no Texas, desenvolvido em parceria com o Morgan Stanley.
Segundo o vice-presidente financeiro do JPMorgan, Jeremy Barnum, o aumento dos investimentos produz efeitos indiretos sobre diversos segmentos da economia.
“É como se os comentários sobre data centers acabassem gerando muita demanda por encanadores e eletricistas; então, você acaba percebendo isso em lugares um pouco menos óbvios”, disse.
O avanço desse cenário reforça uma tendência que também desperta interesse entre gestores públicos. À medida que a infraestrutura tecnológica se expande e novas soluções chegam ao mercado, municípios brasileiros acompanham oportunidades para acelerar iniciativas de digitalização, melhorar a gestão baseada em dados e ampliar a eficiência dos serviços oferecidos à população.
Fonte: CNN Brasil
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/grafico-de-forex-em-paisagem-urbana-com-edificios-altos-fundo-multi-exposicao-conceito-de-pesquisa-financeira_168141956.htm









