Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo estão recrutando voluntários para uma pesquisa que analisa os efeitos do canabidiol sobre o esgotamento emocional e a empatia em cuidadores de pessoas idosas. O foco do estudo está em indivíduos que atuam no cuidado diário de idosos com dependência funcional, grupo frequentemente exposto a altos níveis de sobrecarga física e psicológica.
A iniciativa é conduzida no âmbito do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da FMRP e busca ampliar o conhecimento científico sobre a síndrome de burnout em cuidadores, além de investigar possíveis benefícios do canabidiol nesse contexto específico. O estudo envolve avaliações psicológicas detalhadas e, em uma segunda etapa, acompanhamento clínico ao longo de quatro semanas.
Quem pode participar da pesquisa
Podem se candidatar pessoas com idade entre 18 e 40 anos que exerçam a função de cuidador de um idoso com 60 anos ou mais. A atividade pode ser desempenhada de forma remunerada ou não, desde que o participante atue no cuidado há pelo menos três meses antes do início da coleta de dados. Também é exigida uma carga mínima de seis horas diárias dedicadas ao cuidado.
A proposta contempla tanto cuidadores familiares quanto profissionais, reconhecendo que ambos enfrentam demandas emocionais semelhantes no cotidiano. Segundo os pesquisadores, a diversidade de perfis é importante para compreender como o esgotamento emocional e a empatia se manifestam em diferentes contextos de cuidado.
Etapas e avaliações previstas
A participação no estudo ocorre em duas fases distintas. A primeira etapa tem caráter transversal e envolve a aplicação de um protocolo composto por diversos instrumentos de avaliação. Nessa fase, os voluntários respondem a questionários que investigam aspectos da saúde emocional e social, incluindo sintomas de depressão, indicadores da síndrome de burnout, níveis de empatia e percepção de felicidade.
Também são avaliados comportamento pró-social, letramento em saúde, reconhecimento de emoções faciais e percepção de apoio social. Essas medidas permitem traçar um panorama amplo das condições emocionais dos cuidadores e das estratégias que utilizam para lidar com as exigências do cuidado diário.
A segunda fase é opcional e destinada aos participantes que manifestarem interesse em dar continuidade à pesquisa. Nessa etapa, os cuidadores fazem uso do canabidiol por um período de quatro semanas. Antes do início e após o término desse intervalo, são reaplicadas avaliações relacionadas a depressão, empatia, reconhecimento de emoções faciais e satisfação com o cuidado ofertado ao idoso.
Local e forma de inscrição
Os interessados em participar devem entrar em contato pelo WhatsApp, no número (16) 92005-4475, para receber orientações iniciais e verificar a elegibilidade. As atividades presenciais do estudo serão realizadas no Laboratório de Psicofarmacologia, localizado no terceiro andar do Hospital das Clínicas da FMRP, em Ribeirão Preto.
A equipe responsável destaca que todas as etapas seguem protocolos éticos e que os participantes recebem acompanhamento durante o período do estudo. O uso do canabidiol ocorre de forma controlada, conforme diretrizes de pesquisa clínica, e os dados coletados são utilizados exclusivamente para fins científicos.
Objetivos científicos da investigação
O estudo tem como título Efeitos do canabidiol na síndrome de burnout e empatia de cuidadores remunerados e não remunerados de pessoas idosas. A pesquisa é desenvolvida pelo pesquisador Madson Alan Maximiano-Barreto, sob supervisão da professora Flávia de Lima Osório, ambos vinculados à FMRP da USP.
A investigação possui dois objetivos centrais. O primeiro é identificar o efeito do canabidiol em indicadores da síndrome de burnout e nos níveis de empatia de cuidadores de pessoas idosas que necessitam de auxílio para atividades básicas da vida diária. O segundo objetivo é analisar possíveis associações entre esgotamento emocional, empatia, em seus diferentes domínios, e a qualidade da assistência oferecida no cuidado cotidiano.
A expectativa é que os resultados auxiliem políticas públicas, práticas clínicas e novas pesquisas voltadas à saúde mental de cuidadores, frequentemente invisibilizados nas rotinas de cuidado prolongado no país.
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Fonte: Jornal USP
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