O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), classificou como um sucesso o primeiro fim de semana do pré-Carnaval na capital paulista, mesmo após registros de superlotação, confusão e pessoas feridas em blocos da região central. O principal ponto de tensão ocorreu na rua da Consolação, onde dois megablocos se concentraram no domingo (8), reunindo milhares de foliões no mesmo espaço.
“Se considerarmos a quantidade de pessoas e as poucas ocorrências, a conclusão é que foi um sucesso”, afirmou o prefeito em entrevista à GloboNews. Questionado sobre a superlotação e relatos de foliões feridos, Nunes declarou que “nenhum caso foi considerado muito grave”.
Concentração de blocos gera tumulto no centro
A confusão teve início no começo da tarde de domingo, quando dois grandes blocos ocuparam a mesma via. Pela primeira vez, a rua da Consolação recebeu simultaneamente o tradicional Acadêmicos do Baixo Augusta e um bloco estreante comandado pelo DJ Calvin Harris, patrocinado pela marca oficial do Carnaval de São Paulo.
A presença dos dois eventos no mesmo local já havia gerado preocupação antes do fim de semana. No fim de janeiro, a Folha mostrou que a alocação levantava alertas sobre segurança e mobilidade. Na ocasião, o prefeito defendeu a decisão e afirmou que haveria estrutura suficiente para garantir a ordem.
Com o aumento do público, as grades de segurança instaladas para organizar a circulação não suportaram a pressão. Foliões ficaram prensados e, em meio ao empurra-empurra, parte das estruturas foi derrubada. A reportagem presenciou pessoas passando mal, pedidos de ajuda direcionados aos bombeiros e tentativas de fuga por ruas transversais.
Plano de contingência e restrição de acesso
A situação se agravou nas proximidades da concentração do bloco de Calvin Harris. Ainda no domingo, a gestão municipal proibiu o acesso de novos foliões à região e acionou um plano de contingência. Por volta das 16h, a Polícia Militar orientou que as pessoas evitassem circular pela rua da Consolação.
Durante o tumulto, um grupo chegou a escalar grades de imóveis vizinhos para escapar da multidão. Houve também registros de invasão da área externa da Escola Paulista de Magistratura. Após a queda das grades, a massa de pessoas se dispersou para vias próximas, enquanto bombeiros civis prestavam atendimento no meio do público. Ao menos três foliões foram socorridos no local.
Parte das pessoas que ficou prensada tentou recolocar as grades de segurança por conta própria, na tentativa de restabelecer algum controle sobre o fluxo.
Atrasos e críticas de bloco tradicional
O bloco patrocinado pela Skol enfrentou dificuldades para avançar e permaneceu parado na Consolação, na altura da rua Piauí. Calvin Harris estava previsto para começar a tocar às 14h, mas o início da apresentação ocorreu apenas depois das 15h.
Em nota, o Acadêmicos do Baixo Augusta atribuiu os problemas à “falta de organização” e ao “não cumprimento dos horários combinados”. Segundo o bloco, a saída pela Consolação atrasou mais de uma hora “por questões de segurança”, em razão do excesso de público do bloco da Skol, que ocupava a mesma via.
“Com 17 anos de história, o maior bloco da cidade e um dos maiores do Brasil foi desrespeitado de forma triste e violenta, mostrando a todos uma prova clara da falta de competência para realizar o que foi proposto e do compromisso da cidade com os blocos que recriaram o Carnaval de São Paulo”, afirmou a organização.
Prefeitura rebate reclamações
Também à GloboNews, Ricardo Nunes respondeu às críticas do Baixo Augusta. “Com a grande quantidade de público no bloco da Skol, sem que tivesse grandes ocorrências devido ao trabalho da Prefeitura e Polícia Militar, ele deveria é reconhecer, bem como reconhecer também que o público do Calvin ficou para curtir o bloco dele. Os blocos desfilaram em horários diferentes, primeiro o Skol e depois o Baixo Augusta”, disse o prefeito.
A prefeitura ainda não informou se haverá mudanças na logística dos próximos fins de semana de pré-Carnaval. A programação segue com dezenas de blocos espalhados pela cidade, enquanto a gestão municipal promete manter o reforço na segurança, no monitoramento do público e nos planos de contingência para evitar novos episódios de superlotação.
Fonte: Folha de São Paulo
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