Uma operação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) mobilizou forças policiais nesta quinta-feira para desmontar um esquema de corrupção envolvendo policiais civis e integrantes de uma organização criminosa dedicada à lavagem de dinheiro. Batizada de Operação Bazaar, a ação é coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e conta com o apoio da Polícia Federal, da Polícia Civil do Estado de São Paulo e da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco).
Até o momento, quatro suspeitos foram presos. As investigações indicam que o grupo criminoso operava um sistema estruturado de proteção ilegal, no qual pagamentos frequentes eram destinados a agentes públicos para evitar que atividades ilícitas fossem descobertas ou investigadas de forma adequada.
Segundo o Ministério Público, o esquema reunia doleiros, operadores financeiros e indivíduos especializados em mecanismos de ocultação de recursos. O objetivo central da organização era movimentar grandes quantias de dinheiro de origem ilícita, garantindo que os valores fossem inseridos no sistema financeiro com aparência de legalidade.
Esquema envolvia manipulação de investigações
De acordo com as apurações conduzidas pelo Gaeco, os integrantes da organização criminosa mantinham contato direto com policiais civis e outros agentes públicos que, em troca de vantagens financeiras, atuariam para proteger o grupo.
Entre as práticas identificadas estão a manipulação de investigações policiais, fraudes em procedimentos judiciais e até a destruição de provas que poderiam comprometer os envolvidos. Essas ações permitiriam que as atividades criminosas continuassem sem interferência das autoridades responsáveis pela investigação.
O Ministério Público descreve que a atuação ocorria de maneira coordenada e permanente. Em nota sobre a operação, os promotores afirmaram: “Assim, os criminosos, de forma coordenada, asseguravam a continuidade de suas práticas e evitavam ser responsabilizados por seus crimes”.
A suspeita é de que o esquema tenha funcionado por um período prolongado, aproveitando brechas institucionais e a colaboração de servidores públicos que tinham acesso a informações sensíveis de investigações.
Mandados são cumpridos em diferentes locais
A operação mobiliza dezenas de agentes e envolve o cumprimento simultâneo de mandados judiciais em diferentes pontos do estado de São Paulo. Ao todo, a Justiça autorizou 25 mandados de busca e apreensão, além de 11 mandados de prisão.
Parte das diligências ocorre em endereços residenciais e comerciais ligados aos investigados. Há também mandados sendo cumpridos em delegacias, o que reforça a suspeita de participação de policiais civis no esquema investigado.
Além das prisões e das buscas, os investigadores executam seis mandados de intimação relacionados a medidas cautelares diversas. Essas determinações judiciais podem incluir restrições como afastamento de funções públicas, proibição de contato entre investigados ou obrigação de comparecimento periódico à Justiça.
Os alvos da operação incluem integrantes da organização criminosa, advogados e policiais civis suspeitos de participar ou facilitar o funcionamento do esquema.
Investigação busca mapear estrutura financeira
A Operação Bazaar também tem como foco identificar a dimensão financeira do grupo e rastrear o caminho percorrido pelo dinheiro lavado. Investigadores buscam documentos, equipamentos eletrônicos e registros bancários que possam indicar como os valores eram movimentados.
Doleiros e operadores financeiros teriam papel central nessa etapa. Esses profissionais são frequentemente utilizados por organizações criminosas para intermediar transferências internacionais, ocultar a origem dos recursos e criar empresas de fachada usadas para justificar transações suspeitas.
Com o material apreendido durante as buscas, o Ministério Público pretende aprofundar o mapeamento da rede de colaboradores e identificar eventuais novos participantes do esquema.
A expectativa dos investigadores é esclarecer como os pagamentos eram realizados, quais agentes públicos recebiam propina e de que maneira as interferências nas investigações eram conduzidas.
As diligências seguem em andamento, e novas prisões não estão descartadas. O Ministério Público afirma que o objetivo da operação é interromper a atuação da organização criminosa e responsabilizar todos os envolvidos no esquema de corrupção e lavagem de dinheiro.
Fonte: Agência Brasil
Foto: https://br.freepik.com/fotos-premium/vista-traseira-de-homens-de-pe-na-cidade_95653047.htm








