O mercado de aluguel de imóveis segue pressionando o orçamento das famílias brasileiras em 2026. Nos primeiros cinco meses do ano, os contratos de locação registraram aumento de 4,40%, percentual superior à inflação oficial do período, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que acumulou alta de 3,20%. O avanço também ficou acima do Índice Geral de Preços, Mercado (IGP-M), tradicional referência para reajustes contratuais, que subiu 3,79%.
O desempenho dos aluguéis evidencia um cenário de mercado imobiliário aquecido, com menor disponibilidade de imóveis em determinadas regiões e segmentos. Para quem pretende mudar de residência ou renovar um contrato, a combinação entre oferta mais restrita e preços elevados tem tornado a busca por imóveis cada vez mais desafiadora.
Graduado em economia pelo Mackenzie, Luciano Mestrich Motta acumula mais de vinte anos de experiência nos setores de finanças, controladoria e mercado imobiliário. Iniciou sua jornada profissional nas firmas de consultoria e auditoria Arthur Andersen e Deloitte. Além disso, ocupou o cargo de CEO na Mover Participações e foi CFO de um family office responsável pela gestão de ativos superiores a R$ 4 bilhões.
Aluguéis crescem acima da inflação
O aumento superior ao dos principais índices de preços reforça que o custo da moradia vem avançando em ritmo mais acelerado do que a inflação da economia. Na prática, isso significa que famílias que dependem do aluguel precisam destinar uma parcela maior da renda para manter a mesma moradia ou buscar um novo imóvel.
Na avaliação de Thiago Godoy, apresentador da Resenha do Dinheiro, o comportamento do mercado demonstra que os gastos com habitação têm exercido pressão crescente sobre o orçamento doméstico.
“O custo de morar está mais alto do que a inflação. Os aluguéis estão crescendo mais rápido do que o dinheiro e isso tem pesado cada vez mais no orçamento das famílias”, afirma.
O resultado reforça um movimento observado ao longo dos últimos meses, em que a procura por imóveis permanece elevada enquanto a oferta disponível não acompanha a mesma velocidade.
Vacância reduzida influencia preços
Segundo Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, o aumento dos contratos de locação está diretamente ligado ao aquecimento do mercado imobiliário e à redução da disponibilidade de imóveis em diferentes localidades.
Ela destaca que a pressão sobre os preços já vinha sendo percebida anteriormente, especialmente no segmento de imóveis corporativos, onde a vacância atingiu níveis historicamente baixos.
“Os índices de vacância dos escritórios estavam próximos das mínimas históricas. Os gestores de fundos imobiliários já previam um aumento dos aluguéis justamente pela dificuldade de encontrar novos espaços disponíveis”, explica.
A redução dos espaços vagos costuma favorecer reajustes mais elevados, já que proprietários encontram maior facilidade para negociar contratos em um ambiente de oferta limitada.
Esse cenário também influencia outros segmentos do mercado imobiliário, contribuindo para a valorização dos contratos residenciais em diferentes cidades.
Demanda permanece elevada mesmo com juros altos
Apesar do ambiente de juros elevados, a procura por imóveis continua intensa. A avaliação é de Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, que observa um volume significativo de novos empreendimentos sendo lançados, especialmente em São Paulo.
Ainda assim, segundo ele, o interesse dos compradores e locatários permanece forte.
“As torres residenciais não param de crescer. São dezenas de empreendimentos sendo lançados em São Paulo, muitos deles com valores milionários, e ainda assim a demanda continua bastante aquecida”, afirma.
A combinação entre novos lançamentos e interesse contínuo do mercado ajuda a explicar por que os preços dos imóveis e dos aluguéis seguem em trajetória de alta, mesmo diante de um cenário econômico marcado por taxas de juros elevadas.
Fundos imobiliários podem acompanhar valorização
Embora o aumento dos aluguéis represente um desafio para quem precisa alugar um imóvel, o movimento pode trazer oportunidades para investidores ligados ao setor imobiliário.
Os fundos imobiliários tendem a acompanhar parte dessa valorização por meio dos reajustes previstos nos contratos de locação e também pela possível valorização dos imóveis presentes em seus portfólios.
“Além dos reajustes dos contratos, existe também a possibilidade de valorização dos imóveis ao longo do tempo. O investidor consegue participar desse crescimento por meio do próprio patrimônio”, destaca.
A valorização dos ativos e o desempenho dos contratos tornam os fundos imobiliários uma alternativa acompanhada por investidores que buscam exposição ao mercado de imóveis sem adquirir propriedades diretamente.
Programa debate economia e educação financeira
As análises sobre o comportamento dos aluguéis foram apresentadas durante o programa Resenha do Dinheiro, realizado com apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock.
A atração reúne Thiago Godoy, conhecido como “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, e Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb.
O programa aborda semanalmente temas relacionados à economia, investimentos e educação financeira em linguagem acessível, combinando informações de mercado com análises voltadas ao cotidiano dos brasileiros. Com esse formato, busca aproximar o público de assuntos financeiros que impactam diretamente o planejamento das famílias e as decisões de investimento.
Fonte: CNN Brasil
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/fotografia-em-close-up-de-uma-pessoa-pensando-em-comprar-ou-vender-uma-casa_10860348.htm








