A escolha do PT de lançar o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como candidato ao governo de São Paulo, ultrapassa a disputa regional pelo Palácio dos Bandeirantes. Nos bastidores do partido, o movimento é tratado como parte de uma estratégia nacional voltada para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Dirigentes petistas avaliam que um desempenho competitivo em São Paulo será determinante para o resultado da eleição presidencial. O estado concentra o maior eleitorado do país e historicamente exerce forte influência sobre o resultado final da disputa nacional. Dentro dessa lógica, colocar Haddad na cabeça de chapa foi considerado o caminho mais seguro para estruturar um palanque sólido para Lula.
O próprio Haddad relutou inicialmente em entrar novamente na corrida estadual. Segundo aliados, ele preferia permanecer no Ministério da Fazenda, onde conduz a política econômica do governo. A insistência de Lula e de dirigentes do PT, porém, acabou pesando na decisão de levar seu nome para a disputa.
Peso eleitoral de São Paulo
A centralidade da eleição paulista ficou evidente nas últimas disputas presidenciais. O desempenho do PT no estado costuma ter impacto direto no resultado nacional, especialmente em cenários de polarização.
Nas eleições de 2022, Haddad disputou o governo paulista e acabou derrotado por Tarcísio de Freitas, atual governador. A diferença final foi de cerca de 2,6 milhões de votos. Na eleição presidencial daquele mesmo ano, Lula também ficou atrás de Jair Bolsonaro em São Paulo, com desvantagem de aproximadamente 2,7 milhões de votos.
Apesar da derrota no estado, o resultado apertado foi considerado relevante dentro da campanha petista. No cenário nacional, Lula venceu Bolsonaro por pouco mais de 2,1 milhões de votos. Internamente, integrantes do partido avaliam que o desempenho competitivo em São Paulo ajudou a reduzir o impacto da vantagem bolsonarista e contribuiu para a vitória final.
A comparação com 2018 reforça esse diagnóstico. Naquela eleição presidencial, quando Haddad foi o candidato do PT ao Planalto, Bolsonaro abriu uma diferença muito maior em território paulista. O então presidenciável venceu no estado com vantagem de cerca de 8 milhões de votos.
Na disputa pelo governo paulista naquele mesmo ano, o candidato petista foi o ex-prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho. Ele terminou apenas na quarta colocação, com cerca de 2,6 milhões de votos, sem chegar ao segundo turno. O resultado evidenciou a fragilidade do partido no estado naquele momento.
Aposta no recall de 2022
Diante desse histórico, o PT decidiu apostar no desempenho recente de Haddad e no nível de conhecimento que ele mantém entre os eleitores paulistas. O chamado “recall eleitoral”, ou seja, a lembrança de uma candidatura recente, é visto como um ativo importante para a nova disputa.
Pesquisas de intenção de voto reforçam essa leitura dentro do partido. Em levantamento do Datafolha, Haddad aparece como o nome mais competitivo do campo progressista em São Paulo. Dependendo do cenário analisado, o ministro registra entre 28% e 31% das intenções de voto.
Mesmo assim, o atual governador segue à frente nas simulações testadas pelo instituto. O favoritismo de Tarcísio também foi levado em conta pelo PT ao escolher seu candidato. Na avaliação de dirigentes da legenda, lançar uma candidatura menos conhecida poderia resultar em uma derrota mais ampla e prejudicar a campanha presidencial.
Outro elemento que contribuiu para a escolha foi o perfil político de Haddad. Embora tenha trajetória ligada ao PT e relação próxima com Lula, o ministro construiu uma imagem de interlocução com o setor financeiro e costuma ser visto como um quadro de perfil econômico mais moderado dentro do partido.
Essa característica, na avaliação de aliados, pode ajudar a ampliar o diálogo com eleitores de centro em um estado considerado majoritariamente conservador.
Disputa com alcance nacional
A eleição para o governo paulista também tende a assumir um tom nacional ao longo da campanha. Durante seu mandato à frente da Fazenda, Haddad frequentemente atuou como porta-voz das políticas econômicas do governo federal e defensor das iniciativas da gestão Lula.
Nos últimos meses, ele passou a fazer comparações entre as ações do governo federal e decisões tomadas pela administração paulista. Do outro lado, Tarcísio construiu parte de sua trajetória política no governo Bolsonaro, onde foi ministro da Infraestrutura.
Essa relação com o ex-presidente tende a influenciar o debate eleitoral. Aliados do ministro afirmam que ele está preparado para enfrentar esse confronto político.
“Haddad está pronto para fazer esse debate”, diz um aliado próximo ministro.
Dentro do PT, a candidatura também atende a um interesse prático da estrutura partidária no estado. Pré-candidatos a deputado federal e estadual avaliam que ter Haddad liderando a chapa pode ajudar a ampliar a votação da legenda e fortalecer sua bancada no Congresso Nacional.
A avaliação predominante entre dirigentes petistas é que a disputa em São Paulo será um dos principais termômetros da eleição presidencial. Por isso, a presença de Haddad no palanque estadual passou a ser tratada como parte essencial da estratégia do partido para 2026.
Fonte: Metrópoles
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